Extrema-direita. Autoridades alemãs prendem 25 suspeitos de tentativa de golpe de Estado

por Inês Moreira dos Santos - RTP
Christian Mang - Reuters

Uma operação policial na Alemanha, esta quarta-feira, resultou na detenção de 25 suspeitos do planeamento de um golpe de Estado. A Procuradoria-geral alemã informou que desmantelou uma célula de um grupo de terrorista de extrema-direita que estaria a preparar ataques armados. O Parlamento seria um dos alvos.

De acordo com um relatório divulgado pelas autoridades, participaram nesta operação cerca de três mil polícias, que realizaram buscas em 130 localidades de 11 Estados alemães, contra o movimento extremista Cidadãos do Reich. No documento, os procuradores referem que os detidos são suspeitos de "terem feito preparativos concretos para entrar violentamente, com um pequeno grupo armado, no Bundestag”, a câmara baixa do Parlamento alemão.

O ministro alemão da Justiça, Marco Buschmann, disse tratar-se de uma “operação antiterrorista” contra um grupo que alegadamente planeava atacar instituições do Estado.

“A democracia está bem defendida: desde esta manhã está em curso uma grande operação antiterrorista. O Ministério Público Federal está a investigar uma suposta rede terrorista do movimento Cidadãos do Reich”, escreveu no Twitter.

“Suspeita-se de que tenha sido planeado um ataque armado a órgãos constitucionais”.


O movimento extremista, formado em 2021, assume que rejeita a Constituição implementada depois da II Guerra Mundial e apela à queda do Governo alemão. As autoridades já investigavam o grupo há algum tempo devido a suspeitas de envolvência em ataques violentos, teorias de conspiração e ações racistas.

A Procuradoria-geral da Alemanha disse que 22 alemães foram detidos sob suspeita de "filiação numa organização terrorista". Três outras pessoas, incluindo um cidadão russo, são suspeitas de apoiar a organização. Uma pessoa foi também detida na cidade austríaca de Kitzbuehel e outra na cidade italiana de Perugia, referiu ainda o comunicado.
Antena 1

Um dos detidos é um cidadão alemão conhecido como príncipe Heinrich XIII, de 71 anos, que é acusado de ser um dos dois líderes da organização terrorista e um dos autores do plano de golpe armado. Os promotores acreditam que Heinrich XIII, com origens nobres alemãs, pretendia ser o novo líder da Alemanha e tinha contactado as autoridades russas a fim de negociar um nova ordem no país, tendo sido efetivamente apoiado por uma cidadã russa.

“De acordo com as investigações atuais, nada indica que, no entanto, as pessoas contactadas tenham respondido positivamente ao seu pedido”, lê-se no relatório.

As autoridades estimam que cinco de dezenas de pessoas, entre homens e mulheres, terão feito parte de um grupo que, em 1871, tentou derrubar a República alemã e substituí-la por um império – movimento que terá influenciado o grupo extremista agora detido.

Os membros do Cidadãos do Reich acreditam numa “série de teorias da conspiração”, incluindo a “ideologia QAnon”, e preparavam um golpe armado desde 2021, segundo os procuradores alemães. QAnon é o nome de perfil de um utilizador anónimo que publicou, num fórum da Internet, informações falsas, nas quais alegou ter acesso a dados de agências de segurança dos Estados Unidos sobre um suposto grupo liderado por uma elite corrupta formada por pedófilos satânicos, que sequestravam e sacrificavam crianças. Esta teoria tem muitos adeptos no seio do Partido Republicano norte-americano.

O jornal alemão Der Spiegel avança que as buscas incluíram o quartel da KSK, a unidade de forças especiais da Alemanha, na cidade de Calw, no sudoeste do país. Este quartel já tinha sido alvo de investigação anteriormente por suspeitas de ter entre os soldados alguns simpatizantes de extrema-direita.

Ainda segundo o relatório, a organização já tinha planos estabelecidos para governar a Alemanha e os membros detidos acreditavam que só conseguiam atingir os objetivos do grupo com “meios militares e violência contra os representantes do Estado”, incluindo a execução de assassinatos.

A emissora pública alemã ZDF informou também que um reconhecido ex-membro de extrema-direita da câmara baixa do Parlamento fazia parte da conspiração e estava nomeado para ser o ministro da Justiça, caso o grupo conseguisse derrubar o Governo.

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