Operation Yellowhammer. O cenário para um Brexit sem acordo assusta

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O que pode acontecer depois do dia 31 de outubro
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O plano do Governo britânico para um Brexit sem acordo alerta para um cenário bastante complicado, com falta de medicamentos e comida e a possibilidade de protestos que se podem tornar violentos. Michael Gove, o ministro responsável pela coordenação da saída do Reino Unido da União Europeia, afirmou entretanto que o documento agora revelado é "antigo" e não reflete totalmente o nível de preparação do país. Mas também afirmou que, apesar de estar a ser revisto, é o único que existe neste momento.

O documento agora revelado, e que tem como nome "Operation Yellowhammer", foi criado a 2 de agosto, nove dias depois de Boris Johnson ter assumido o cargo de primeiro-ministro.

O relatório prevê o pior cenário possível caso o Brexit aconteça sem acordo.

Diz que tanto o público em geral como as empresas não estão devidamente preparadas para o que pode suceder, em parte devido à confusão política no país.

O documento começa por recordar que todos os direitos e acordos recíprocos com a União Europeia terminam a partir do momento em que se efetiva a saída. A partir de então, o Reino Unido terá na relação com a União Europeia o estatuto de "terceiro país". Entraremos num novo capítulo, com a possibilidade de vários países implementarem proteções de forma unilateral, incentivados pela Comissão Europeia.

Até ao momento, lê-se, não foram concluídos quaisquer acordos individuais com os países membros da UE à exceção do acordo com a Irlanda na Segurança Social.

Lê-se também que a preparação do público e das empresas para o Brexit mantém-se num nível reduzido devido à falta de um acordo claro sobre a saída. Diz ainda que apesar de as grandes empresas estarem mais preparadas para o que pode acontecer, os pequenos e médios negócios não vão conseguir lidar da mesma forma com o problema.
Efeitos concretos da saída sem acordo

O relatório indica que a França vai aplicar controlos aos bens britânicos, pelo que as empresas podem não estar preparadas para tal, em particular na passagem de transportes de mercadorias. As transações sofrem por esta via uma redução na ordem dos 40 a 60 por cento nos primeiros tempos.

Os cidadãos britânicos em viagem para e de países da União Europeia podem ficar sujeitos a inspeções nas fronteiras, o que pode causar atrasos significativos.

O documento menciona também para a possibilide de se verificarem falhas no acesso a medicamentos. Para humanos, é certo, mas também medicamentos para animais, o que pode provocar falhas no controlo de doenças no país com eventual impacto posterior na população.

Podem também exisitr falhas no fornecimento de alimentos frescos, o que pode levar a um aumento nos preços. Neste ponto, o documento alerta que o Governo não terá possibilidade de antecipar o potencial impacto desta falha. Há por isso risco, lê-se, que o pânico leve a uma corrida aos supermercados, o que pode provocar falhas no abastecimento geral.

Alguns serviços transfronteiriços financeiros britânicos podem ser afetados.

Gibraltar, território britânico, devido à imposição de controlos na fronteira com a Espanha, sofrerá igualmente de falhas no abastecimento de alimentos e medicamentos. Atrasos na fronteira vão igualmente ter um impacto significativo na economia de Gibraltar.

O relatório alerta ainda que protestos no país vão absorver de forma significativa recursos da polícia. Pode verificar-se ainda um aumento da desordem pública com tensões entre comunidades.

Disrupção no tráfico automóvel provocada pelas fronteiras pode afetar a distribuição de combustível. O comportamento dos condutores - aumento na procura de forma a garantir combustível, algo que Portugal verificou recentemente - pode levar a falhas nos postos.

São alguns dos vários pontos do documento agora revelado, e que demonstra de forma clara que a situação pode ser bastante complicada no caso de o Reino Unido avançar para a saída da União Europeia sem acordo.

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