Padres italianos contra política anti-imigração de Salvini

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Desde 2015 que os padres italianos discordam dos ideais do atual ministro do Interior
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Desde 2015 que os padres católicos italianos contestam os discursos anti-imigração de Matteo Salvini. Agora que este é ministro do Interior, os protestos sobem de tom.

Os desentendimentos entre os padres católicos italianos e Matteo Salvini, ministro do Interior de Itália, remontam a 2015. Por essa altura, o seu partido adotava já um discurso marcadamente xenófobo e anti-imigração.

A retórica de Salvini desencadeou os protestos de Gianfranco Formenton, um padre na região de Espoleto. Em 2015, o padre afixou na porta da sua igreja um papel no qual se podia ler: “Os racistas estão proibidos de entrar. Vão para casa!”.

Salvini respondeu-lhe imediatamente pelo Twitter: “Será que o padre prefere traficantes, esclavagistas e terroristas? Tenho pena de Espoleto e da sua igreja, se isto é um padre…”.
 


A 1 de julho deste ano, os ideais de Salvini passaram para a prática. Ocupou o cargo de ministro do Interior e, desde então, começou a recusar que embarcações de imigrantes atraquem na costa italiana.

Com um Partido Democrata cada vez mais receoso de fazer frente a Salvini, por medo de perder o apoio da população, padres como Formenton surgem como a principal força opositora do ministro do Interior, como assinala o jornal britânico The Guardian.

Apesar da oposição a Salvini, o padre Formenton confessa que a Igreja tem dificuldades em convencer os seus seguidores a aceitarem a imigração. Os discursos do ministro do Interior são mais eficazes.

“Temos uma população que quer as bênçãos da Igreja, procissões e rituais religiosos, mas de cada vez que o Papa Francisco fala de migrantes ou de pobres as pessoas deixam de ouvir”, confessa Formenton ao Guardian.
Ministro do Interior veste-se de padre
Salvini sabe como apelar aos seus apoiantes, maioritariamente católicos. A 1 de julho, o ministro do Interior discursou de rosário em punho. Nesse dia falou da necessidade de criar uma aliança europeia de partidos nacionalistas “para defender as populações e as fronteiras”.

“Segurar um rosário em frente a milhares de apoiantes faz-me lembrar os chefes da Máfia a segurar a Bíblia”, declarou ao jornal britânico Cosimo Scordato, padre em Ballarò.

Scordato afirmou que, recentemente, escreveu uma carta a Salvini. Nela encorajava o ministro a ver os imigrantes como uma oportunidade, num país envelhecido com baixas taxas de natalidade. O padre não recebeu qualquer resposta.

Padres formam coro de protestos
Luigi Ciotti, um dos padres mais populares de Itália, organizou um protesto este fim de semana, convidando os presentes a utilizar uma camisola vermelha. Esta serviria para relembrar o menino sírio que, em 2015, morreu na costa turca.

“Precisamos de parar agora, parar para refletir e olhar para nós próprios. Precisamos de questionar os nossos corações e consciência: no que é que nos estamos a tornar?”, perguntou.

Também no início desta semana, Alex Zanotelli, membro dos missionários Combonianos em Verona, apelou para que os jornalistas noticiassem as tragédias em África, alertando os italianos para a situação dos migrantes.

“Se os italianos não souberem o que se passa em África, não podem perceber porque é que tantas pessoas estão a abandonar as suas terras e a arriscar as suas vidas”, disse.

Matteo Salvini tornou-se ministro do Interior de Itália a 1 de junho deste ano. Desde então, o seu partido de extrema-direita tem defendido o encerramento dos portos e fronteiras italianas a imigrantes, maioritariamente vindos do norte de África.

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