Parlamento alemão questiona corte de relações com a Venezuela

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O embaixador alemão expulso da Venezuela, Daniel Martin Kriener (esq.) com o autoproclamado presidente Juan Guaidó
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Um parecer dos serviços jurídicos do Bundestag considera inteiramente legítimo perguntar se o reconhecimento de Juan Guaidó poderá ser qualificado como uma "intervenção inadmissível".

Um segundo parecer, emitido poucos dias depois a pedido do grupo parlamentar do Partido da Esquerda (Die Linke), reforça as conclusões do primeiro, sublinhando que, ao reconhecer Guaidó, o Governo federal alemão ignorou a sua norma de procedimento habitual, de reconhecer Estados, mas não reconhecer Governos.

Ao fazê-lo, Berlim reconheceu, além do mais, precipitadamente, "um político de oposição como presidente interino, que ainda não se impôs na estrutura de poder de um Estado".

Também Klaus Scharioth, antigo embaixador alemão nos EUA e antigo secretário de Estado, se pronuncia no mesmo sentido: "Não se dá o caso de já ter havido uma revolução bem sucedida, que tenha levado um novo Governo ao poder".

O site de Der Spiegel cita um especialista em Direito Internacional, Hans-Joachim Heintze, a apoiar o parecer dos serviços parlamentares: "Estados reconhecem Estados", diz o jurista. Interpelado por esta publicação, o MNE alemão não quis pronunciar-se.

Entretanto, Guaidó nomeou o seu próprio embaixador para Berlim, o putschista de 2002 Otto Gebauer, que nesse momento esteve envolvido num golpe de Estado para derrubar o presidente eleito Hugo Chávez.

Produto do imbroglio diplomático em que o Governo alemão se encontra envolvido é o facto de este novo embaixador estar nomeado, ao mesmo tempo que permanece em funções na Alemanha o embaixador da confiança do presidente Nicolás Maduro.

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