Parlamento Europeu sobre propostas de Johnson: não contêm "solução decente"

por RTP
“As propostas não contêm nenhuma solução decente para a alfândega”, considerou o Parlamento Europeu Henry Nicholls - Reuters

O Parlamento Europeu comunicou esta quinta-feira a Boris Johnson que as suas mais recentes propostas para a fronteira irlandesa não são “nem remotamente” aceitáveis, pelo que o cenário de uma saída do Reino Unido da UE com acordo continua difícil de alcançar.

“As propostas não contêm nenhuma solução decente para a alfândega”, considerou um dos membros do comité que representa as visões do Parlamento Europeu sobre o Brexit. “Além disso, estas propostas levantariam uma fronteira rígida na Irlanda”, acrescentou, considerando que o plano de Johnson “não tem asas para voar”.

O comité descreveu ainda as propostas do primeiro-ministro britânico como um esforço “de última hora” que se revelou insuficiente para criar bases para um acordo renovado de saída do Reino Unido da União Europeia.Boris Johnson espera selar um acordo para o Brexit na cimeira que irá decorrer a 17 e 18 de outubro.

“Salvaguardar a paz e a estabilidade da ilha da Irlanda, a proteção dos cidadãos e a ordem da União Europeia tem de ser o foco principal de qualquer acordo”, lê-se no comunicado do Parlamento.

“As propostas do Reino Unido não se aproximam, nem remotamente, daquilo que foi acordado como um compromisso necessário” de modo a evitar o backstop – mecanismo de salvaguarda para a fronteira irlandesa –, acredita o comité.

De acordo com um diplomata europeu, o plano apresentado por Boris Johnson teria de ser refeito para que pudesse tornar-se aceitável. Estão agendadas, para sexta-feira, novas reuniões de negociação entre ambas as partes.
Irlanda opõe-se a propostas
Tanto o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, como o ministro dos Negócios Estrangeiros desse país, Simon Coveney, demonstraram esta quinta-feira as mesmas preocupações que o Parlamento Europeu.

“Eu acredito que Boris Johnson quer um acordo e que o documento entregue ontem foi um esforço para nos mover na direção de um acordo”, começou por argumentar Varadkar. “Mas concordo que, se esta é a sua proposta final, não poderá haver acordo”.

De acordo com o comité do Parlamento Europeu para o Brexit, as propostas apresentadas pelo primeiro-ministro britânico sobre questões alfandegárias “garantem as infraestruturas e o controlo necessários, mas não são claras quanto a como e onde se aplicariam”.

Qualquer forma de controlo e fiscalização dentro e fora da fronteira irlandesa significaria o fim das trocas comerciais sem atritos e poderia prejudicar a economia em toda a ilha, além de representar um sério risco para o processo de paz e de poder implicar riscos graves para os consumidores e negócios”, acrescenta o documento.

O Parlamento Europeu poderá vetar qualquer que seja o acordo de saída final proposto e o comité já garantiu que tal acontecerá se o acordo em questão não providenciar uma solução sem falhas que evite uma fronteira rígida na Irlanda.

Para já, porém, mantém-se cuidadoso ao recusar propostas para que não seja considerado culpado caso o processo de separação do Reino Unido da UE termine sem acordo.
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