Poemas de Fernando Pessoa no 10 de Junho nos Açores
O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas foi hoje assinalado nos Açores com uma cerimónia que evocou o mar e Portugal através de uma conferência e leitura de poemas de Fernando Pessoa.
A cerimónia, promovida pelo Representante da República Para a Região Autónoma dos Açores, José António Mesquita, decorreu no Palácio dos Capitães Generais em Angra do Heroísmo, onde o mar foi evocado como "um instrumento importante para Portugal".
José António Mesquita disse que "se sentiu tentado a ler um discurso formal", mas que "desistiu da ideia" e preferiu recitar Fernando Pessoa e os seus mais célebres poemas sobre Portugal e o Mar".
O programa contou com uma conferência do reitor da Universidade dos Açores, Avelino Meneses, sobre "Portugal é o Mar", em que considerou "o mar como um instrumento político e uma fonte de recursos".
Para o reitor da universidade açoriana "o mar é uma reserva estratégia e a sua defesa um desígnio nacional".
Avelino Meneses, que é também historiador, sublinhou que "o mar português, que é sobretudo açoriano, foi no passado sustentáculo da expansão portuguesa e será no futuro amparo do brio de Portugal".
O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas foi ainda assinalado com a atribuição da condecoração de Grande Oficial da Ordem de Mérito ao pintor Carlos Carreiro e de Membro Honorário da Ordem de Mérito à Associação Recreativa Fanfarra Operária Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
As insígnias foram entregues pelo Representante da República no arquipélago, José António Mesquita, em delegação do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Carlos Carreiro, 60 anos, é natural de Ponta Delgada, terminou o curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto em 1972, realizou mais de meia centena de exposições individuais e participou em cerca de 150 mostras colectivas, em Portugal e no estrangeiro.
A Fanfarra Operária Gago Coutinho e Sacadura Cabral tem cerca de 50 músicos e comemorou no passado dia 19 de Março o seu primeiro centenário.
Em 1980, foi declarada Pessoa Colectiva de Utilidade Pública e promove, entre outras actividades culturais, o ensino da música, onde se inclui uma escola de viola-da-terra, instrumento tradicional açoriano.