Polónia defende resposta "devastadora" da NATO em caso de ataque nuclear na Ucrânia

por Andreia Martins - RTP
O ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, Zbigniew Rau, e o presidente do país, Andrzej Duda, durante a 77ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. Amr Alfiky - Reuters

O ministro polaco dos Negócios Estrangeiros defende que a Aliança Atlântica deve responder de forma "devastadora" a um eventual ataque russo com armas nucleares na Ucrânia. De visita aos Estados Unidos, Zbigniew Rau considera que essa resposta coordenada deve ser de cariz não-nuclear e que a NATO está a passar essa mensagem preventiva a Moscovo.

As perdas territoriais russas das últimas semanas e a presumível anexação de regiões ucranianas estão a aumentar as preocupações sobre o eventual uso de armas nucleares por parte da Rússia. Os peritos assumem que Moscovo poderá recorrer a ogivas táticas de menor dimensão para chocar o Ocidente e desmobilizar os combatentes ucranianos.

Em declarações à NBC News durante uma visita aos Estados Unidos, o ministro polaco dos Negócios Estrangeiros defende uma resposta veemente por parte da NATO em caso de ataque nuclear russo.

“Sabemos que Putin está a ameaçar com o uso de armas nucleares táticas em solo ucraniano, não a atacar a NATO, o que significa que a NATO deve responder de forma ajustada. Mas essa resposta deve ser devastadora. E suponho que essa seja uma mensagem clara que a aliança está a passar agora para a Rússia”, afirmou o chefe da diplomacia polaca.

Sobre a “mobilização parcial” em curso, o responsável polaco afirmou que Vladimir Putin está “obviamente” a perder a guerra na Ucrânia, mas que o reforço dos contingentes destacados não deverá mudar o curso da guerra, já que os novos soldados estão “mal treinados e mal equipados".
Consequências "graves" e "catastróficas"
A evolução recente do conflito na Ucrânia tem levantado o espectro de um conflito direto, potencialmente catastrófico, entre Moscovo e a Aliança Atlântica. No domingo, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, alertou que o uso de armas nucleares em território ucraniano teria “consequências catastróficas para a Rússia”.

De acordo com o responsável norte-americano, essas consequências foram deslindadas em conversas privadas diretas com as autoridades russas. Por sua vez, Moscovo admitiu que os canais de conversação entre Washington e Moscovo se encontram abertos.

Já esta terça-feira, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, alertou que haverá "consequências graves" para a Rússia em caso de um ataque nuclear.

"Qualquer uso de armas nucleares será absolutamente inaceitável, mudará totalmente a natureza do conflito e a Rússia deve saber que uma guerra nuclear não pode ser vencida e nunca deverá ser travada", afirmou o responsável pela Aliança Atlântica.

Stoltenberg alertou ainda que, perante a "retórica nuclear" de Vladimir Putin, os aliados "estão a transmitir uma mensagem clara de que isso [o uso armas nucleares] terá graves consequências para a Rússia".
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