Presidente chinês apela a "cooperação global" face à crescente pressão dos EUA

por Inês Moreira Santos - RTP
Reuters

O Presidente chinês apelou esta terça-feira a uma "cooperação global" e a uma "gestão mais equitativa" dos temas globais. Numa critica indireta aos Estados Unidos, Xi Jinping alertou que nenhuma nação deve tentar impor regras a outros países.

A discursar na abertura de um fórum económico, Xi Jinping criticou o "unilateralismo de alguns países", sem mencionar os EUA, e alertou contra a dissociação, numa referência aos receios de que a tensão entre Pequim e Washington possam gerar esferas separadas, tornando as indústrias e mercados menos produtivas, com padrões incompatíveis entre si.

"Os assuntos internacionais devem ser tratados por todos, através de consultas", disse Xi Jinping, num discurso transmitido durante o Fórum Boao para a Ásia, na ilha de Hainan, no extremo sul do país. "As regras feitas por um ou mais países não devem ser impostas a outros".

"O mundo não pode ser liderado pelo unilateralismo de alguns países".

O presidente chinês declarou ainda que "o mundo quer justiça, não hegemonia", sublinhando que a China jamais seria uma nação hegemónica, na Ásia ou no cenário global.

"Mandar nos outros ou interferir nos assuntos internos dos outros países não vai ser apoiado por ninguém", sublinhou, acrescentando que o mundo deve evitar uma "mentalidade de Guerra Fria".

"A pandemia da Covid-19 tornou ainda mais claro para as pessoas em todo o mundo que devemos rejeitar a guerra fria e a mentalidade de soma zero e temos de nos opor a uma nova 'Guerra Fria' e ao confronto ideológico em quaisquer formas", afirmou.

Segundo o líder do Governo chinês, "os grandes países devem comportar-se de maneira condizente com seu estatudo e com maior senso de responsabilidade".

Nesse sentido, Xi Jinping pediu uma cooperação mais forte na investigação e desvolvimento de vacinas contra o coronavírus e medidas para torná-las disponíveis aos países em desenvolvimento.
Relações económicas com os EUA
Os comentários de Xi Jinping, esta terça-feira, refletem o desejo do Partido Comunista Chinês de ter uma influência global igual ao estatuto da China como a segunda maior economia do mundo, e a frustração com os esforços dos EUA para bloquear as suas ambições. Recorde-se que Donald Trump, antigo presidente norte-americano, impôs sanções à China e proibiu o acesso a 'chips' de processadores dos EUA e outras tecnologias, para várias empresas chinesas.

"Construir muros e dissociar [as economias] viola as regras económicas e de mercado, prejudicando outras pessoas", disse o Presidente chinês.

Embora a Administração da Casa Branca tenha mudado, as relações económicas e diplomáticas com a China não melhoraram. Em vez das iniciativas unilaterais de Donald Trump, Joe Biden quer aproximar-se de outras nações, em especial dos parceiros europeus e dos aliados americanos na Ásia, para conter o avanço da China, que em breve ultrapassará os EUA como a maior potencia económica do mundo.

Xi alertou, por isso, contra a dissociação nos mercados, uma postura que vai de encontro à promoção de Pequim dos seus próprios padrões para telecomunicações ou ferrovias de alta velocidade e à pressão sobre as empresas para que usem fornecedores chineses, em vez de fontes globais, mesmo que isso aumente os custos. Acelerar uma campanha de duas décadas para tornar a China autossuficiente em tecnologia foi declarada a principal prioridade económica para os próximos anos.

Contando com a presença de alguns dos maiores empresários do mundos, o presidente chinês repetiu as promessas anteriores de tornar mais fácil para as empresas estrangeiras investirem na China.

"A abertura é essencial para o desenvolvimento e o progresso. Além disso é a chave para a recuperação económica pós-Covid", disse.

Pequim adotou, no entanto, uma postura mais assertiva no mar do Sul da China e outras áreas, onde as reivindicações territoriais entram em conflito com as do Japão, Filipinas, Índia e outros países.

"Não importa o quanto se desenvolva, a China nunca vai procurar a hegemonia, a expansão, esferas de influência ou envolver-se numa corrida ao armamento", repetiu Xi Jinping.

O país tem já o segundo maior orçamento militar, a seguir aos Estados Unidos, e está a desenvolver mísseis balísticos com capacidade nuclear, submarinos, caças e outras armas para aumentar o seu alcance militar.
Tópicos
pub