Procuradoria de Paris procura cúmplices de Cheurfi

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O procurador de Paris, François Molins, explicou sexta-feira porque foi que os serviços de segurança franceses foram incapazes de evitar o atentado de quinta-feira contra a polícia nos Campo Elísios.
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François Molins, procurador de Paris, afirmou em conferência de imprensa esta tarde que o autor do atentado de quinta-feira à noite esteve preso várias vezes e era conhecido tanto pela polícia como pela Justiça francesas. Mas durante as suas detenções não mostrou sinais "de radicalização nem de proselitismo" islamita.

"Agora trata-se de determinar o contexto preciso da passagem à ação e eventuais cumplicidades para a encomenda deste ato terrorista", disse Molins, descrevendo os factos.

"Dia 20 de abril, às 20h47 minutos um indivíduo chegou ao local dos fatos num veículo Audi. Após alguns minutos, avançou e colocou-se ao lado de um veículo da polícia frente ao número 102 dos Campo Elísios. O autor saiu do carro e abriu fogo na direção do vidro do condutor, atingindo o funcionário da polícia de 37 anos sentado ao volante. De seguida contornou o carro da policia e disparou sobre os agentes estacionados frente ao posto de turismo da Turquia."

Acabou abatido a tiro pela policia. Os seus papéis de identidade referiam-no como Karim Cheurfi, nascido a 31 de dezembro de 1977 em Livry Gargan.

Sucesso e fracasso
Na mala do Audi os investigadores encontraram um saco negro de desporto com uma caçadeira e munições. Duas facas e um corta-sebes estavam também dentro do saco. 

Dentro do veículo estava um Corão e entre os assentos foram descobertos vários papéis com as moradas de polícias e de esquadras.

Junto ao corpo de Cheurfi foi descoberto um bocado de papel manuscrito com um texto a defender o Estado Islâmico, que lhe terá "caído do bolso".

Durante a noite foram efetuadas buscas ao seu domicílio. Três pessoas que moravam na mesma casa foram ouvidas em regime de prisão preventiva.

O atentado de quinta-feira seguiu-se ao anúncio triunfal terça-feira da Procuradoria francesa, sobre a prisão em Marselha de dois suspeitos de preparar um atentado durante as eleições presidenciais.

"Há três dias, nesta mesma sala, felicitamo-nos pelo sucesso de uma investigação que permitiu a detenção de dois indivíduos. Um polícia pagou com a sua vida nos Campos Elísios a missão de proteção que garantia. Este último acontecimento dramático é sinal da humildade que temos sempre de assumir", disse François Molins.
Molins defende equipa
De acordo com informações recolhidas pelo jornal Le Monde esta manhã, Cheurfi estava desde 2016 nos radares das forças de segurança por radicalização. Foi denunciado no final do ano passado pela vontade de matar polícias para se vingar dos muçulmanos mortos na Síria.

No mesmo período ficou sinalizado por ter dito que procurava armas e por pretender entrar em contacto com alguém que se dizia combatente do autoproclamado Estado Islâmico na zona sírio-iraquiana.

De acordo com a Procuradoria de Paris não havia sinais disso. 

A Procuradoria de Meaux abriu a 13 de janeiro de 2017 um inquérito preliminar depois de Cheufri ter ameaçado polícias com violência. Foi colocado sob vigilância a 23 de fevereiro de 2017 e a sua casa foi alvo de buscas. Tinha recebido encomendas de facas de caça, máscaras e de uma câmara GoPro. Mas estes elementos não eram suficientes para caracterizar a ameaça de assassinatos, concluiu o procurador parisiense.

"Nesta altura não tinha surgido nenhuma ligação ao movimento islamita radical. Nada justificava o seguimento das investigações por parte da minha procuradoria" afirmou Molins, reconhecendo que "Karim Cheurfi era conhecido dos serviços da polícia e da Justiça. Nos primeiros meses de 2017 tentava obter armas e fez declarações que davam a entender a sua intenção de matar polícias."
Uma vida de ameaça à autoridade
Karim Cheurfi entrou e saiu da prisão várias vezes, beneficiando de penas suspensas e de liberdade condicional. 

O seu cadastro de por violência, sobretudo contra figuras de autoridade era longo. Foi condenado por isso duas vezes em 2007 e em 2008. Atacou um co-detido. E acabou preso dia 09 de abril de 2011 sendo depois enquadrado num de regime de semi-liberdade a 7 de junho de 2012 e ficado sob liberdade condicional em setembro de 2013.

"Mas foi de novo detido em outubro de 2013" referiu o procurador.

Em 2014 recebeu uma pena de quatro anos de prisão por roubo domiciliário, recusa de responder, recetação de objetos roubados e usurpação de matrícula. Saiu em 14 de outubro de 2015 e ficou com obrigação de se apresentar perante um juiz do tribunal de Meaux.

A 7 de abril de 2017 foi presente a tribunal para lhe serem lembradas as suas "obrigações da suspensão", depois de ter as ter ignorado indo à Argélia sem avisar as autoridades. Mas o juiz não julgou estes factos suficientes para lhe revogar a liberdade condicional. 

Não estava referenciado como 'S' - o grau de perigosidade máximo - e durante todo o seu período de prisão não deu sinais de radicalização ou de proselitismo.

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