Protesto no aeroporto de Hong Kong, da caça a polícias chineses infiltrados às fotos de Carrie Lam nos urinóis

| Mundo

O protesto de hoje no aeroporto de Hong Kong ficou marcado por momentos de tensão e descompressão entre os manifestantes, ilustrados na `caça` a supostos polícias chineses infiltrados e nas fotografias da chefe do Governo colocadas nos urinóis.

Entre as rondas de recolha do lixo que se acumulava no terminal 1 do aeroporto, as explicações aos passageiros - sobre a motivação dos protestos -, e a distribuição de comida e bebida, os jovens manifestantes protagonizaram alguns momentos de tensão.

Em duas ocasiões, uma à tarde e outra ao início da noite (hora local), centenas de jovens que participaram no protesto rodearam dois homens, acusando-os de serem polícias do interior da China infiltrados entre os manifestantes, que os manietaram e agrediram, obrigando um deles a receber tratamento hospitalar.

Mais tarde, foram divulgadas algumas imagens nas redes sociais de documentos de identificação de pelo menos um destes homens que confirmariam, alegadamente, as suspeitas dos manifestantes.

Um dos alvos dos protestos pró-democracia que duram desde o início de junho em Hong Kong é a chefe do Governo, Carrie Lam, cuja imagem foi colocada em cada um dos urinóis, uma ação que motivou alguns sorrisos entre passageiros e manifestantes, que se deslocaram ao local propositadamente para filmarem ou tirarem fotografias.

Ao final da tarde, na área onde se efetua o `check-in`, uma jovem manifestante sentava-se junto a uma passageira brasileira que ficara retida no aeroporto, na viagem de regresso a São Paulo, via Joanesburgo.

A manifestante, de apelido Ng, que se juntou ao protesto depois de concluir uma jornada de trabalho numa empresa próximo do aeroporto, explicava a razão da manifestação, junto à brasileira que desconhecia a natureza das reivindicações.

A jovem de Hong Kong explicou que o Governo não tem ouvido as reivindicações dos manifestantes e que esta nova fase dos protestos procura pressionar as autoridades através de ações com impacto económico.

Ng reiterou as acusações de violência policial ao longo dos quase dois meses de protestos, nos quais se começou com a exigência de retirada da lei de extradição, à qual se somaram as reivindicações de um inquérito independente à atuação policial, demissão de Carrie Lam e libertação dos detidos.

Lisete Castro, do Estado brasileiro de Goiás, que participou numas olimpíadas de matemática em Taiwan e passou quatro dias em Hong Kong, chegou ao aeroporto para apanhar um voo com destino a Joanesburgo, onde fazia escala para o destino final, São Paulo.

Sem saber cantonês, mandarim ou inglês, sem funcionários das companhias de aviação nos balcões de atendimento e sem qualquer informação sobre o voo, a brasileira estava conformada com as horas que adivinhava ter pela frente até conseguir entrar num avião: "O que não tem remédio, remediado está", disse, com um sorriso cansado.

Após o caos que se viveu no aeroporto, sobretudo durante a tarde, a calma reinava ao final da noite em ambos os terminais, muito por culpa de uma ação policial que dispersou os jovens que protagonizaram o protesto pelo quarto dia consecutivo, depois das autoridades terem garantido junto de um tribunal uma providência cautelar na qual se determinava a retirada dos manifestantes da estrutura aeroportuária, segundo a imprensa local.

Os protestos em Hong Kong duram há mais de dois meses e têm sido marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, com recentes dados a apontarem para um impacto económico na indústria de viagens na ex-colónia britânica.

O clima de contestação social em Hong Kong resulta da apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora uma "erosão das liberdades" na antiga colónia britânica.

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