Quase 26 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária, diz ONU

por Lusa

Quase 26 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária na Etiópia, estima a ONU, que calcula em 2,42 mil milhões de euros o montante de que precisa para responder à crise no país em 2022.

Estes números constam do relatório "Global Humanitarian Overview", divulgado hoje em Genebra pelo Escritório das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês).

Segundo o relatório, 25,9 milhões de pessoas precisam urgentemente de ajuda humanitária, devido ao conflito armado, choques climáticos, incluindo secas e inundações, surtos de doenças, uma invasão de gafanhotos do deserto e o impacto socioeconómico da covid-19, condições que puseram em causa os ganhos dos últimos anos.

Para alcançar 22,3 milhões de pessoas no país, a ONU estima precisar de 2,75 mil milhões de dólares (2,42 mil milhões de euros).

A guerra eclodiu na Etiópia em 04 de novembro de 2020, quando o primeiro-ministro, Abiy Ahmed, lançou uma ofensiva contra a Frente Popular de Libertação do Tigray, o partido então no poder na região com o mesmo nome.

Até agora, segundo a ONU, milhares de pessoas foram mortas e cerca de dois milhões foram forçadas a fugir das suas casas devido à violência.

Dos 30 países que o relatório da OCHA identifica como precisando de Planos de Resposta Humanitária em 2022, a Etiópia é o quarto que precisa de mais fundos, após o Afeganistão, a Síria e o Iémen e é de longe o país africano a precisar de mais ajuda humanitária. Os dois países africanos seguintes, a República Democrática do Congo e o Sudão, precisam ambos de 1,9 mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros), segundo a OCHA.

O conflito no Tigray e os dois milhões de deslocados que provocou elevaram o número de deslocados na região da África oriental, onde crises na Somália, Sudão do Sul e Sudão já tinham forçado milhões a fugir das suas casas nos últimos anos, alerta a OCHA.

A organização estima que as necessidades de ajuda na África Oriental deverão crescer em 2022, em grande parte devido ao conflito etíope, mas também devido à situação precária que se vive no Sudão devido ao golpe militar de outubro, à tensão política e luta contra o Al-Shebab na Somália, e à aproximação das eleições altamente contestadas no Quénia.

A África Oriental deverá também enfrentar em 2022 as consequências da crise climática, com quatro países da região (Eritreia, Etiópia, Somália e Sudão) classificados como dos mais vulneráveis às alterações climáticas.

Na África austral, a OCHA coloca Madagáscar e Moçambique em risco elevado de ciclones e alerta que, apesar de se prever um aumento da precipitação na região, o sul de Madagáscar e o sul de Angola deverão continuar a enfrentar a grave situação de seca que vivem atualmente, com alta probabilidade de um aumento das necessidades humanitárias em ambos os casos.

A ONU prevê que as necessidades humanitárias se mantenham também elevadas no norte de Moçambique devido ao conflito associado aos ataques de grupos armados naquela região, apesar da operação das autoridades moçambicanas apoiadas por forças estrangeiras na segunda metade deste ano.

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