Recenseados 230 mil eleitores a mais na província moçambicana de Gaza, indica INE

por Lusa

Os órgãos eleitorais moçambicanos recensearam cerca de 230 mil eleitores a mais do que o número da população em idade eleitoral na província de Gaza, sul de Moçambique, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

O INE divulgou na quinta-feira tabelas que enviou ao Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) e à Comissão Nacional de Eleições (CNE) sobre o número e percentagem de população com idade igual ou superior a 18 anos, o mínimo para votar em Moçambique.

A divulgação das tabelas surge na sequência de acusações dos partidos da oposição e de organizações da sociedade civil de que o recenseamento eleitoral na província de Gaza, sul de Moçambique, foi manipulado pelo STAE com a conivência da CNE, para empolar ficticiamente os dados do censo e aumentar o número de mandatos neste ponto do país.

A província de Gaza votou sempre esmagadoramente a favor da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, e um aumento no número de eleitores pode ter um impacto nos resultados finais da votação nas eleições gerais de 15 de outubro.

Na tabela que divulgou na sua página na Internet, o INE refere que a província de Gaza tem 836.581 habitantes com idade igual ou superior a 18 anos, mas dados divulgados pelo STAE em junho indicam que foram registados 1.166.001 eleitores, o que corresponde a 228.721 eleitores a mais.

Com os números que apurou, o STAE ultrapassou em 101% a meta que tinha definido para o recenseamento eleitoral na província de Gaza, que era de 1.140.000 eleitores.

O número de eleitores apurados em Gaza faz da província a única em Moçambique que conseguiu registar um número acima da população em idade eleitoral, pois as restantes nove províncias e a cidade de Maputo inscreveram cifras abaixo do total da população em idade eleitoral.

Na quinta-feira, o mandatário da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, Venâncio Mondlane, disse à Lusa que a sua organização apresentou na Procuradoria-Geral da República (PGR) uma queixa-crime contra membros do STAE e da CNE responsáveis pelas alegadas ilegalidades que ocorreram no recenseamento eleitoral na província de Gaza.

A Renamo avançou com uma queixa-crime, após ver chumbada esta semana um recurso que interpôs no Conselho Constitucional (CC) contra o recenseamento eleitoral em Gaza.

O CC chumbou o recurso da Renamo devido a erros processuais, abstendo-se de analisar o mérito da causa.

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