Reino Unido determinado em realizar cimeira presencial de líderes do G7 em junho

por Lusa

O Reino Unido está determinado em organizar uma cimeira presencial de líderes internacionais em meados de junho, com a Austrália, Índia e Coreia do Sul convidados a juntarem-se aos países do G7, revelou hoje.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que tem a presidência rotativa do grupo este ano, espera reunir primeiros-ministros e presidentes das principais democracias do mundo na região da Cornualha, sudoeste de Inglaterra, entre 11 e 13 de junho, apesar de a pandemia de covid-19 continuar a ameaçar viagens internacionais e grandes eventos. 

No ano passado, os Estados Unidos acabaram não realizar a cimeira anual, inicialmente prevista para se realizar em Camp David também em junho e depois adiada para o final do ano, inviabilizada pela crise mundial e pelo processo eleitoral das presidenciais nos EUA.

A concretizar-se presencialmente, esta poderá ser a primeira cimeira de nível internacional com a participação de Joe Biden como Presidente norte-americano, cuja tomada de posse tem lugar na quarta-feira. 

O atual Presidente dos EUA, Donald Trump, causou controvérsia, primeiro com a ideia de realizar a cimeira de 2020 no seu próprio clube de golfe em Miami, Florida, e depois ao ameaçar convidar o homólogo russo, Vladimir Putin, contra a vontade dos outros líderes. 

A Rússia foi expulsa do G8 em 2014, na sequência da anexação da península da Crimeia, que pertence à Ucrânia, e o grupo passou a ser denominado por G7, formado pelo Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, EUA e União Europeia (UE), considerados os países mais industrializados.

Boris Johnson quer usar a cimeira do G7 para reforçar a cooperação internacional em questões urgentes como o combate à pandemia covid-19 e as alterações climáticas, e também "intensificar a cooperação entre as nações mais democráticas e tecnologicamente avançadas do mundo", adianta o Governo britânico num comunicado.

Austrália e Índia já tinham participado na cimeira do 2019, organizada por França em Biarritz, como países parceiros, mas esta será uma estreia para a Coreia do Sul. 

O português António Guterres, secretário-geral da ONU, também foi convidado a juntar-se à reunião.

"O coronavírus é, sem dúvida, a força mais destrutiva das últimas décadas e o maior desafio à ordem mundial moderna que tivemos. Devemos enfrentar o desafio de reconstruir melhor unindo-nos com um espírito de abertura para criar um futuro melhor", defendeu Johnson, citado no mesmo comunicado.

Esta é a primeira vez que o Reino Unido assume a presidência do G7 pós-Brexit, depois de sair da UE no ano passado, pelo que o livre comércio é um dos temas que se destacam na agenda, juntamente com a evolução tecnológica, economia verde e conhecimento científico. 

Ao longo do ano, o Governo britânico pretende organizar uma série de reuniões mais especializadas, por videoconferência e presenciais, sobre economia, ambientes, saúde, comércio, tecnologia, desenvolvimento e política externa com ministros do G7. 

Além da cimeira de líderes da G7, em fevereiro o Reino Unido vai assumir a presidência do Conselho de Segurança da ONU e no final do ano vai organizar a cimeira ambiental COP26 em Glasgow.

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