Reino Unido e União Europeia discutem Brexit em Bruxelas

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Um ano depois do referendo, é hora de pôr as cartas em cima da mesa. Depois de uma negociação inaugural, o Reino Unido e a União Europeia começam esta segunda-feira a discutir os termos da saída. Os direitos dos cidadãos, o custo da saída e o futuro da Irlanda são temas fraturantes no divórcio que acabará com um atribulado casamento que dura há mais de 40 anos.

O homem que a Comissão Europeia escolheu para discutir os termos da saída e o ministro britânico para o Brexit deram esta segunda-feira início à segunda ronda de negociações. Um aperto de mão enérgico entre os dois homens deu início a uma discussão que se prevê longa e difícil.

O termo “segunda ronda de negociações” encobre o verdadeiro marco que estes novos encontros significam. A primeira fase serviu apenas para limar questões de agendamento: o calendário das negociações e os assuntos que devem ser considerados prioritários. A partir desta segunda-feira, é a sério.

“É altura de começarmos a trabalhar e de conseguirmos que estas negociações sejam coroadas de sucesso”, afirmou o próprio David Davis, o ministro britânico para o Brexit.


Reportagem de Andrea Neves - Antena 1

Foi a ele que o Governo britânico confiou a missão de chefiar as negociações que culminarão com a saída do Reino Unido da União Europeia. Do outro lado da mesa encontra-se Michel Barnier, o escolhido da Comissão Europeia para defender os interesses dos 27 nas negociações.

Esta segunda-feira, David Davis explicou que o objetivo é “identificar as diferenças para trabalhá-las e as concordâncias para as reforçar”. A missão não se avizinha fácil. Em cima da mesa estarão assuntos como os direitos dos cidadãos europeus que vivem no Reino Unido e dos britânicos que vivem nos 27.
Quanto custa o Brexit?
Outra tema que já semeia discórdia entre europeus e britânicos é o da fatura que Londres terá de pagar. A imprensa avançou com valores que poderão chegar aos 100 mil milhões de euros, números que o Reino Unido não está perto de aceitar. O valor foi já considerado “fantasioso” pelo ministro britânico das Finanças. Na semana passada, Boris Johnson foi mais duro nas palavras.

O chefe da diplomacia britânico falou numa fatura “extorsiva” e avisou que, assim sendo, os europeus “podem esperar sentados”. O assunto passará agora pelas negociações lideradas por Michel Barnier e David Davis.

A partir desta segunda-feira, o futuro da relação britânica com a União Europeia será debatido em grupos de trabalho. Para quinta-feira está marcada uma conferência de imprensa para dar a conhecer os progressos desta ronda negocial.
Corrida contra o tempo
As conversações iniciam-se mais de um ano depois do referendo britânico e quatro meses depois de o artigo 50 ter sido acionado pelo Governo britânico. O representante da União Europeia nas negociações tinha já alertado, na passada semana, para a necessidade de apressar as negociações.

Afinal, para que a saída se concretize até março de 2019 – respeitando o prazo dos dois anos a partir da ativação do artigo 50 – as negociações teriam de estar concluídas até outubro de 2018, dando tempo às partes para ratificar o acordo.



A estratégia europeia encontra-se já definida, tendo sido aprovada no passado mês de abril. O posicionamento britânico é mais controverso.
Londres apresentou na passada quinta-feira a sua opinião em alguns dos temas, mas deixou de fora algumas questões, nomeadamente a fatura que terá de pagar. Resta a dúvida sobre se 15 meses serão suficientes para negociar um acordo difícil e suficientemente abrangente.

Bruxelas e os 27 Estados-membros têm apresentado uma posição unida no que diz respeito ao divórcio, mas o mesmo parece não acontecer do outro lado do Canal da Mancha. A imprensa britânica tem noticiado divisões no executivo do Partido Conservador que, recentemente, perdeu a maioria no Parlamento.

Em causa está, nomeadamente, o período de transição para que o Reino Unido e a União se adaptem à nova relação. O ministro britânico das Finanças disse no passado sábado acreditar que a maioria dos seus colegas de Governo concordam atualmente com um período de transição de pelo menos dois anos, a contar de março de 2019.



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