Rússia-Ucrânia. NATO diz ter cinco mil militares a postos para "proteger os seus aliados"

por Joana Raposo Santos - RTP
A NATO e os Estados Unidos enviaram esta quarta-feira à Rússia as suas respostas escritas às exigências feitas por Moscovo. Johanna Geron - Reuters

A NATO diz-se disponível para ouvir as preocupações de Moscovo quanto à segurança na região, mas pôs um travão na exigência russa sobre o não alargamento da aliança à Ucrânia. O secretário-geral Jens Stoltenberg avançou ainda que a NATO "aumentou a prontidão das suas forças", tendo a postos cinco mil militares que podem ser destacados "numa questão de dias" caso a situação corra pelo pior.

"Com mais de 100 mil soldados em posição e mais a caminho, incluindo destacamentos significativos na Bielorrússia, apelamos mais uma vez à Rússia para parar de imediato com a escalada", começou por dizer o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg.

O responsável assegurou que “a NATO acredita firmemente que as tensões e desacordos devem ser resolvidos através do diálogo e da diplomacia” e “está preparada para ouvir as preocupações russas”, incluindo “o direito de todas as nações de escolherem os seus acordos de segurança”.

“A NATO é uma aliança de defesa e não vai procurar confrontos”, explicou Stoltenberg, avisando, porém, que a entidade “vai tomar todas as medidas necessárias para proteger os seus aliados” e irá permitir que outros países, incluindo a Ucrânia, se candidatem para se tornarem seus membros.

“Apesar de estarmos à espera de uma boa solução, estamos preparados para o pior”, declarou o secretário-geral, adiantando que a Aliança Atlântica “aumentou a prontidão das suas forças”.

Segundo Stoltenberg, cinco mil militares estão à disposição da NATO para serem destacados “numa questão de dias”. “Temos planos preparados que podem ser executados com muito pouca antecedência”, afirmou.

A NATO e os Estados Unidos enviaram esta quarta-feira à Rússia as suas respostas escritas às exigências feitas por Moscovo, nomeadamente a do não alargamento da NATO à Ucrânia e à Geórgia, assim como a retirada das forças e armamentos dos países do leste europeu que aderiram à aliança após 1997.
As exigências da NATO e EUA à Rússia
Entre as exigências da NATO, concertadas com as dos EUA, está a de "restabelecer o diálogo através dos respetivos escritórios em Moscovo e em Bruxelas", bem como a de "reforçar os princípios da segurança europeia", prevendo o "direito de cada nação a escolher os seus próprios acordos de segurança".

Pede-se igualmente que a Rússia se abstenha de "posturas coercivas, retórica agressiva e atividades malignas" e é exigida "uma conversa séria sobre o controlo de armas, incluindo armas nucleares e mísseis terrestres de médio e curto alcance" e "transparência militar".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia anunciou esta quarta-feira que também o embaixador norte-americano John Sullivan fez chegar ao Kremlin a resposta dos Estados Unidos.

A carta dos EUA oferece "uma via diplomática séria, se a Rússia desejar", anunciou o chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, declarando-se disposto a falar com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, "nos próximos dias".

"Deixámos claro que estamos determinados a manter e a defender a soberania e a integridade territorial da Ucrânia e o direito dos Estados a escolherem os seus próprios dispositivos de segurança e as suas alianças", afirmou o secretário de Estado norte-americano à imprensa.

"O documento reitera o que Washington publicamente afirma há semanas e, de alguma forma, há muitos anos: que defendemos o princípio da porta aberta na NATO", precisou.

A carta aborda também "a possibilidade de medidas de transparência recíprocas no que respeita às nossas posições militares, bem como de medidas para aumentar a confiança no que se refere aos exercícios militares e às manobras na Europa", acrescentou Blinken.

No documento, Washington propõe igualmente relançar as negociações com a Rússia sobre o controlo de armamentos, em particular sobre a questão dos mísseis estratégicos e das armas nucleares estacionadas na Europa.

Tanto a NATO como Washington acreditam que uma invasão russa à Ucrânia está na iminência, tendo em conta o envio de milhares de soldados por Moscovo para a fronteira ucraniana nas últimas semanas. O Executivo russo nega essa intenção, mas apresentou condicionantes à redução da escalada de tensões com o país vizinho.

Ainda esta quarta-feira, a Rússia iniciou manobras militares no Mar Negro com a participação de mais de 20 navios, informou o ministério russo da Defesa.

c/ agências
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