Senadores dos EUA querem ver príncipe saudita condenado por morte de Khashoggi

| Mundo

O Senado responsabiliza ainda bin Salman por alegadas atrocidades cometidas durante a guerra no Iémen
|

Seis senadores dos Estados Unidos apresentaram, na quarta-feira, uma resolução que responsabiliza Mohammed bin Salman pela morte do jornalista Jamal Khashoggi, assassinado há mais de dois meses no consulado saudita em Istambul.

“O Senado tem uma elevada convicção” de que o príncipe herdeiro “foi cúmplice do assassínio”, afirma a proposta que, caso seja aprovada, condenará oficialmente bin Salman pelo sucedido. Os senadores querem ainda responsabilizá-lo por crimes cometidos na guerra no Iémen.

“Esta resolução afirma, definitivamente e sem equívocos,  que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita foi cúmplice no assassínio de Khashoggi […] e que tem colocado em risco a nossa segurança nacional em várias frentes”, declarou Lindsey Graham, senadora republicana e aliada do Presidente Donald Trump.

A resolução do Senado chegou pouco depois de o procurador-geral de Istambul ter solicitado a detenção de um ex-conselheiro de bin Salman e do antigo vice-chefe dos serviços estrangeiros de Inteligência da Arábia Saudita, por serem suspeitos de planear o assassínio do jornalista.

Na terça-feira, outros senadores norte-americanos disseram “não haver hipótese” de que bin Salman não esteja envolvido no crime. A afirmação surgiu após um ponto de situação à porta fechada realizado pela diretora da CIA, Gina Haspel.

Robert Corker, republicano e presidente do Comité do Senado para as Relações Externas, disse acreditar que, caso bin Salman fosse a tribunal, “seria dado como culpado em trinta minutos”, conforme conta o diário francês Le Monde.Riade já garantiu que o príncipe herdeiro não tinha conhecimento do plano para matar Khashoggi.

Jamal Khashoggi, jornalista saudita que residia nos Estados Unidos, era um forte crítico da família real do país de origem. No dia 2 de outubro entrou no consulado saudita em Istambul para recolher documentos necessários ao seu futuro casamento e nunca mais foi visto.

A Arábia Saudita já confessou que o jornalista morreu no edifício depois de as negociações para que regressasse ao país terem falhado. A Turquia acredita que foi estrangulado e desmembrado, apesar de não se ter encontrado vestígios do corpo.
Guerra no Iémen
De acordo com a estação de televisão árabe Al Jazeera, a resolução do Senado norte-americano também responsabiliza Mohammed bin Salman por alegadas atrocidades cometidas durante a guerra no Iémen, na qual a Arábia Saudita participa desde 2015. Desde então, a aliança entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, apoiada pelos EUA, já foi responsável por mais de 18 mil ataques aéreos e pela morte de dezenas de milhares de civis.

Agora, os senadores apelam ao reino saudita para que negoceie diretamente com os representantes dos rebeldes Houthis, para acabar com a guerra nesse país árabe.

A mesma resolução pede ainda o fim do bloqueio que a Arábia Saudita e três outros Estados árabes impuseram ao Qatar, em junho de 2017, e que se encontre uma solução política para aquela que é considerada a maior divisão diplomática de sempre no Conselho de Cooperação do Golfo, organização que reúne seis países: Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Bahrein e Kuwait.

Por fim, o Senado dos EUA exige a libertação de Raif Badawi, escritor e ativista que foi detido em 2012 por alegadamente ter insultado o Islão através de páginas da Internet, assim como a libertação de ativistas dos direitos das mulheres e presos políticos que se encontram detidos na Arábia Saudita.

A informação mais vista

+ Em Foco

O ministro dos Negócios Estrangeiros considera, em entrevista à Antena 1, que Portugal tem a vantagem de não ter movimentos populistas organizados.

    A fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda continua a ser a maior dor de cabeça interna de Theresa May.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.