Síria. Potências ocidentais entregam novo projeto de resolução nas Nações Unidas

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A França, o Reino Unido e os Estados Unidos entregaram este sábado uma nova proposta de resolução sobre o conflito sírio. O documento, redigido por Paris, foi entregue ao Conselho de Segurança menos de 24 horas depois do ataque militar contra três alvos sírios. É o regresso da diplomacia depois da ofensiva armada da madrugada de sábado. Em Moscovo, Vladimir Putin acusou alguns países do ocidente de terem violado leis internacionais e regras das Nações Unidas.

Depois da ofensiva armada, regressa a diplomacia. França, Estados Unidos e Reino entregaram este sábado no Conselho de Segurança um novo projeto de resolução sobre a situação na Síria. Este documento abrange as áreas química, humanitária e política e inclui a criação de um novo mecanismo de investigação sobre o uso de armas químicas no país.

Segundo a France Presse, o texto será ainda alvo de discussão na próxima segunda-feira, não sendo ainda certo quando será votado. A vontade das autoridades francesas é que o texto seja alvo de uma “verdadeira negociação” antes do voto.

O documento foi entregue menos de 24 horas depois de Estados Unidos, Reino Unido e França terem atacado três alvos em território sírio com mais de uma centena de mísseis. O objetivo, avança fonte diplomática, é mostrar que estas intervenção militar faz parte de uma “estratégia política”.


No que diz respeito às armas químicas, a proposta de resolução “condena fortemente o recurso a armas químicas na Síria, em especial o ataque de 7 de abril em Douma”. Propõe ainda que seja criado um “mecanismo independente” de investigação e atribuição de responsabilidades “sob os princípios da imparcialidade e do profissionalismo”.

A Rússia e a Síria continuam a negar que o regime de Bashar al-Assad tenha recorrido a armas químicas no conflito sírio. Moscovo tem ainda recusado que o mecanismo de investigação possa designar culpados pelo uso de armas químicas.

No sábado, o Conselho de Segurança chumbou uma proposta de resolução russa que condenava o ataque dos Estados Unidos, França e Reino Unido contra a Síria.
A Rússia criticou a “agressão” ocidental e pediu que fossem apresentadas provas do presumível ataque químico de Douma.

A proposta só recebeu os votos favoráveis da China e da Bolívia, para além da própria Rússia. Para ser aprovado, o documento precisava de ter pelo menos nove votos a favor e escapar aos vetos dos membros permanentes do Conselho de Segurança, nomeadamente o Reino Unido, a França e os Estados Unidos.


Na reunião do Conselho de Segurança, a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas garantiu que os Estados Unidos estão prontos a agir novamente caso exista um novo ataque químico na Síria.

"Se o regime sírio usar gás venenoso outra vez, os Estados Unidos estão prontos a agir", disse Nikki Haley. A representante norte-americana disse ainda que Washington está confiante que o programa de armas químicas da Síria foi incapacitado.

“Estamos preparados para manter esta pressão, se o regime sírio for insensato o suficiente para testar a nossa vontade", disse a embaixadora dos Estados Unidos junto da ONU.

Antes, na rede social Twitter, Donald Trump falou em "missão cumprida" e referiu que o ataque foi "perfeitamente executado". A ministra francesa da Defesa também classificou a operação de "sucesso" e garantiu que a capacidade da Síria em conceber, produzir e armazenar armas químicas foi consideravelmente reduzida.

Na última noite, Vladimir Putin acusou alguns países do ocidente de terem violado leis internacionais e regras das Nações Unidas. O Presidente russo falou ainda ao telefone com o Presidente da Turquia. Ancara garante que o líder russo assumiu a vontade de reduzir a tensão e procurar uma solução pacífica e politica para a Síria.

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