Suécia nega estar a fornecer ajuda financeira e militar aos curdos

por Lusa

A Suécia negou hoje estar a fornecer qualquer "assistência financeira ou apoio militar" a grupos ou entidades curdas na Síria, ao contrário do que a Turquia afirma para se opor à adesão do país nórdico à NATO.

"A cooperação no nordeste da Síria é realizada principalmente por meio das Nações Unidas e de organizações internacionais", disse a ministra dos Negócios Estrangeiros sueca, Ann Linde, ao jornal Aftonbladet.

"A Suécia não fornece apoio direcionado aos curdos sírios ou às estruturas políticas ou militares no nordeste da Síria, mas a população dessa zona está, claramente, a participar nesses projetos de ajuda", indicou.

A Turquia pediu "garantias concretas" à Suécia, incluindo "o fim do apoio político ao terrorismo", uma "eliminação da fonte de financiamento do terrorismo", a "cessação do apoio militar" ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e às milícias curdas sírias.

As exigências também abrangem o levantamento das sanções de armas contra a Turquia e a cooperação global contra o terrorismo.

Considerado um grupo terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia -- da qual a Suécia e Finlândia são membros -- o PKK trava uma luta contra os turcos desde 1984. Dezenas de milhares de pessoas morreram no conflito.

Desde 2017, a Turquia pede a extradição de militares curdos e outros suspeitos, mas não tem recebido respostas de Estocolmo.

Entre outras coisas, Ancara afirma que a Suécia forneceu cerca de 350 milhões de euros para apoiar os militantes curdos em 2023 e equipamentos militares, incluindo armas antitanque e drones.

Na segunda-feira, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou lançar uma nova operação militar na Síria para proteger a fronteira sul da Turquia.

Na quarta-feira, uma delegação sueco-finlandesa vai visitar a Turquia para discutir as objeções de Ancara às candidaturas dos países nórdicos à NATO. A delegação deve reunir-se com o porta-voz do chefe de Estado turco, Ibrahim Kalin, e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Sedat Onal.

Na reunião anual do Fórum Económico Mundial em Davos (Suíça), o ministro dos Negócios Estrangeiros da Finlândia, Pekka Haavisto, disse que o país entende "que a Turquia tem algumas preocupações de segurança em relação ao terrorismo".

"Achamos que temos boas respostas para isso, porque também fazemos parte da luta contra o terrorismo. Então, pensamos que essa questão pode ser resolvida", referiu Haavisto.

A NATO fará "o que sempre fazemos", "que é sentar e abordar as preocupações quando os aliados expressarem preocupações", observou o secretário-geral da aliança militar intergovernamental, Jens Stoltenberg, em Davos.

Stoltenberg manifestou-se confiante de que a Aliança Atlântica vai ser capaz de "resolver esses problemas e concordar e receber a Finlândia e a Suécia como membros de pleno direito". Todos os 30 países da NATO devem concordar na integração das duas nações nórdicas.

A Suécia recebeu centenas de milhares de refugiados do Médio Oriente nas últimas décadas, incluindo curdos étnicos da Síria, Iraque e Turquia.

Após ser contra a adesão à NATO durante décadas, a opinião pública de Finlândia e Suécia mudou com a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro.

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