Taiwan. China pede "prudência" aos EUA nas afirmações

por RTP
"A China, a Rússia e o resto do mundo sabem que temos a mais poderosa capacidade militar do mundo", disse o presidente dos Estados Unidos EPA

O Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros apelou aos Estados Unidos para que evitem enviar sinais errados aos defensores da independência de Taiwan. "Não há margem para concessões", disse o porta-voz chinês numa conferência de imprensa, após o presidente Joe Biden ter afirmado que os Estados Unidos estão dispostos a defender militarmente Taiwan, em caso de ataque da China. Pequim também deixa recado aos países que receberem altos representantes de Taiwan.

"Instamos a parte americana (...) a agir com prudência na questão de Taiwan e a abster-se de enviar sinais errados aos ativistas da independência de Taiwan para não prejudicar seriamente as relações sino-americanas", reagiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Wang Wenbin não deixou dúvidas da posição de Pequim ao pedir ao presidente dos Estados Unidos que não "interferisse" nos "assuntos internos" da China.

"Nas questões relacionadas com os seus interesses fundamentais, como a soberania e a integridade territorial, a China não deixará margem para concessões", respondeu o porta-voz aos jornalistas.

O presidente Joe Biden tinha afirmado, horas antes, que os Estados Unidos estavam preparados para defender militarmente Taiwan, em caso de ataque da China, que considera a ilha de 23 milhões de habitantes parte do território.

"Sim, temos um compromisso nesse sentido", disse Joe Biden, durante um encontro, transmitido pela cadeia de televisão CNN, com eleitores em Baltimore.

A Casa Branca afirmou à imprensa que a política norte-americana em relação a Taiwan "não mudou", na sequência das declarações de Biden, na quinta-feira.

Joe Biden já havia feito uma declaração no mesmo sentido durante o verão, quando invocou "um compromisso sagrado" para defender os aliados da NATO, incluindo "o Japão, a Coreia do Sul e Taiwan".

"Suspeito que Biden não estava a tentar anunciar nenhuma mudança", disse o investigador do Lowy Institute, Richard McGregor, citado pela AFP.

"Ou não prestou atenção ao que estava a dizer ou talvez tenha decidido deliberadamente adotar um tom mais severo, devido à forma como Pequim tem intensificado o assédio militar a Taiwan nos últimos tempos", acrescentou o membro daquele grupo de reflexão australiano.

A política dos Estados Unidos para Taiwan é conhecida como "de ambiguidade estratégica", com Washington a ajudar Taiwan a construir e fortalecer a defesa, mas sem prometer explicitamente ajuda em caso de ataque.

A China tem intensificado a pressão militar e diplomática contra a ilha de regime democrático para forçá-la a aceitar a soberania chinesa.

Taiwan reclama ser um país independente com direito a ser tratado como tal internacionalmente e que se defenderá em caso de ataque.

"A mais poderosa capacidade militar do mundo"

A China e os Estados Unido têm entrado em confronto direto em vários assuntos, mas Taiwan é o único tema que pode mesmo conduzir a um conflito armado.

Instado pelos jornalistas a comentar se os Estados Unidos seriam capazes de fazer frente aos programas militares da China, Joe Biden foi peremtória: "a China, a Rússia e o resto do mundo sabem que temos a mais poderosa capacidade militar do mundo".

No entanto, Biden não quem uma nova guerra fria com Pequim. Também o presidente da China, Xi Jinping, deu conta das intenção de conseguir a reunificação de forma "pacífica".

O embaixador americano em Pequim alertou quarta-feira que a China não merece confiança no que respeita a Taiwan e recomendou o aumento da venda de armas à ilha para aumentar a sua defesa.

Perante a Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado, o diplomata Nicholas Burns criticou as recentes incursões de aviões chineses na zona de identificação de defesa aérea taiwanesa, classificando-os de "repreensíveis".

Pequim promete “medidas adequadas” para defender com firmeza a soberania nacional”

A China "tomará as medidas adequadas e necessárias para defender com firmeza a soberania nacional e a integridade territorial. Ninguém deve ter ilusões sobre isso", afirmou o porta-voz do serviço diplomático chinês.

A mensagem era dirigida à Eslováquia e à República Checa que, na próxima semana, recebem a visita do ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan. Em conferência de imprensa, o porta-voz Wang Wenbin foi questionado se a China tomaria medidas contra eslovacos e checos.

Os movimentos diplomáticos de Taiwan conseguem irritar com frequência Pequim, que interpreta as visitas como um apoio tácito às reivindicações de independência da ilha.

O porta-voz chinês garantiu que as autoridades de Pequim vão estar a observar de perto as movimentações de Joseph Wu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan vai à Eslováquia participar num fórum organizado por um grupo de reflexão local. Em seguida viaja para Praga, onde tem encontro marcado com o presidente da câmara alta do Parlamento e com o presidente da câmara de Praga.

A China também trava uma disputa com a Lituânia, após o governo de Vilnius ter concordado com Taiwan com a abertura de embaixadas nas respetivas capitais.

Tanto a China como a Lituânia chamaram os embaixadores colocados na representação de cada país.

O único Estado europeu a ter laços diplomáticos com Taiwan é a Cidade do Vaticano. A pressão chinesa tem dissuadido muitos países de hospedar ministros taiwaneses, embora Joseph Wu se tenha deslocado oficialmente a Copenhaga em 2019.
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