"Tentativa de fuga". Polícia indiana abate quatro suspeitos de violação

por RTP
Reuters

Durante uma reconstituição do crime, a polícia indiana abateu a tiro os quatro suspeitos de uma violação que indignou a opinião pública. Alegadamente, os suspeitos foram abatidos por terem tentado fugir.

A polícia de Telangana, província com capital em Hyderabad, declarou à televisão qatari Al Jazeera que os quatro suspeitos foram levados ao local do crime às primeiras horas do dia de hoje, sexta feira. A isto acrescentou a mesma fonte autorizada da polícia: "Mas eles [os quatro] atacaram a escolta policial e tentaram fugir, ao que a polícia disparou e os homens foram mortos".

Uma versão mais elaborada dos factos foi apresentada à AFP pelo vice-presidente da polícia de Hyderabad: os suspeitos terão "tentado tirar as armas aos guardas, mas foram abatidos". O mesmo responsável policial acrescentou ainda: "Chamámos uma ambulância, mas eles morreram antes de lhes ter chegado qualquer assistência médica".

À imprensa não foi transmitida qualquer informação sobre o número de guardas que constituíriam a escolta policial ou sobre a circunstância de os suspeitos estarem ou não algemados, ou amarrados uns aos outros, como costuma ser feito.

As dúvidas sobre a forma como foram abatidos os suspeitos surgem num contexto em que a polícia indiana vem sendo com frequência acusada de execuções extrajudiciais, principalmente contra os rebeldes do território de Caxemira.

A vítima da violação em grupo fora uma mulher de 27 anos, encontrada morta no passado dia 28 de novembro, na cidade de Shadnagar, a cerca de 50 km de Hyderabad. O corpo tinha sido embrulhado num cobertor e regado com gasolina. Dois dias depois, centenas de manifestantes cercaram a esquadra da polícia em que os quatro suspeitos se encontravam detidos, reclamando que estes lhes fossem entregues.

O pai da mulher violada congratulou-se com a morte dos quatro alegados violadores, declarando: "Há dez dias que a minha filha morreu. Manifesto à polícia e ao governo a minha gratidão por isto. A alma da minha filha deve estar em paz agora".

Contudo, Kavita Krishnan, secretária da Associação de Todas as Mulheres Progressivas da Índia, criticou a eliminação dos quatro suspeitos, afirmando: "A polícia alega que os suspeitos atacaram a escolta no local do crime, onde a polícia os tinha levado para reconstituir o crime. Mas isto não muda nada ao facto de os homens estarem sob prisão e desarmados, de modo que não podiam ter atacado a polícia".
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