Theresa May admite anunciar data de demissão já em junho

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Theresa May à chegada às Casas do Parlamento, a 16 de maio de 2019
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A primeira-ministra do Reino Unido comprometeu-se a debater, já no próximo mês, o calendário para a eleição de um novo líder do Partido Conservador. A novidade foi revelada pelo presidente da Comissão 1922, Graham Brady, esta quinta-feira, após uma reunião com Theresa May.

"Ela e eu iremos reunir-nos para estabelecer um calendário para a eleição de um novo líder do Partido Conservador - essa é a posição acordada pela primeira-ministra e o executivo do 1922", disse Brady aos jornalistas.

O encontro irá dar-se após a votação, na primeira semana de junho, de um projeto-lei legislativo que visa dar luz verde ao Brexit, conhecido como Withdrawal Agreement Bill ou WAB.
"Tivemos uma conversa muito franca com a primeiro-ministra", afirmou o líder da Comissão 1922, que agrega os membros mais antigos e influentes do Partido Conservador.
"Concordámos em encontrar-nos para decidir o calendário para a eleição do novo líder do Partido Conservador, mal ocorra a votação e isso irá acontecer, seja qual for o resultado dessa votação, passe ou não" o WAB, especificou Brady.

As eleições para uma nova liderança do Partido Conservador são praticamente uma certeza, existindo já alguns candidatos.

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e defensor do Brexit, Boris Johnson, confirmou esta quinta-feira a sua disposição de se candidatar.

Theresa May recusou-se até agora admitir uma data para a sua própria demissão, apesar de todas as pressões sofridas, incluindo do próprio partido. A primeira-ministra tem dito apenas que se irá embora após a aprovação da primeira fase do acordo para o Brexit.

Apesar das palavras de Brady, um chumbo poderá levar a primeira-ministra a insistir manter-se na chefia do Governo britânico, já que tem prometido que só se irá afastar "depois de entregar o Brexit ao povo".

Sob as regras em vigor, Theresa May não pode ser objeto de um voto de confiança no Parlamento até dezembro de 2019.
WAB ou "morte"
O Withdrawal Agreement Bill, ou projeto-de-lei para o acordo de saída, deverá ser a última tentativa de Theresa May para cumprir o resultado do referendo de há três anos. Prevê a revisão da legislação britânica de forma a adapta-la às regras estabelecidas no acordo negociado entre May e Bruxelas, já chumbado por três vezes pelos deputados britânicos.

A sua aprovação é essencial para a concretização do Brexit. Mesmo depois de passar, as suas disposições poderão ser debatidas uma a uma e modificadas, chegando-se a eventuais consensos. Ou isso esperam os seus defensores.

Contudo o texto do WAB permanece no segredo dos deuses, a 15 dias da votação marcada ontem por Downing Street, o que deverá levar os deputados a queixar-se da falta de tempo para análise das várias disposições e afirmar que não irão votar às escuras.

Os trabalhistas já disseram que não irão votar a favor. Resta saber se irão abster-se, abrindo caminho à aprovação do projeto-de-lei.

O cenário mais provável será uma nova derrota de Theresa May.

O seu executivo já disse que, se o WAB não passar, o acordo negociado com Bruxelas estará "morto" e o Parlamento terá de decidir se prefere uma saída sem acordo ou a revogação do Artigo 50, o que de facto ditaria o fim do Brexit.

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Brexit, Comissão 1922, Graham Brady, Withdrawal Agreement Bill, Theresa May,

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