Theresa May anuncia demissão

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A primeira-ministra britânica anunciou esta sexta-feira a demissão da liderança do Partido Conservador, que vai ser formalizada no dia 7 de junho para que o processo de escolha de um novo líder comece na semana seguinte. O vencedor da eleição interna vai assumir a chefia do governo.

"Continuarei a servir como primeira-ministra até que o processo esteja concluído", garantiu Theresa May numa declaração aos jornalistas esta sexta-feira no nº10 Downing Street, a residência oficial da primeira-ministra, garantindo que tem vindo a informar a Rainha sobre a demissão.

May argumenta que, como há três anos, é dever dos políticos "implementar o que [o povo] decidiu",  referindo-se ao Brexit. “Fiz tudo o que podia para convencer os deputados a apoiar o acordo de saída. Infelizmente, não o consegui fazer. Tentei três vezes. Acredito que o correto era perseverar, mesmo quando as probabilidades de insucesso pareciam altas. É agora claro para mim que é do interesse do país que seja um novo primeiro-ministro a liderar esse esforço. Por isso, hoje anuncio que me irei demitir do cargo de líder do Partido Conservador na sexta-feira, 7 de junho”, concluiu a ainda primeira-ministra”.

Será sempre uma matéria de grande arrependimento para mim que não tenha conseguido cumprir o Brexit. Será função do meu sucessor procurar um caminho que honre o resultado do referendo. Para ser bem-sucedido, ele ou ela terá de encontrar um consenso no parlamento que eu não consegui. Esse consenso só pode ser atingido se ambas as partes em debate estiverem disponíveis para o compromisso”, argumentou May.

Citando Sir Nicholas Winton, que ajudou centenas de crianças a fugir dos nazis, lembrou um conselho que ele lhe deu: “O compromisso não é uma palavra feia”.

“Sei que o partido Conservador vai conseguir renovar-se nos próximos anos. Que conseguirá cumprir o Brexit e servir o povo britânico com políticas inspiradas nos nossos valores: Segurança, Liberdade e Oportunidade”, continuou.

May argumentou que foi “a maior honra da vida” ter sido a segunda mulher primeira-ministra no Reino Unido “mas certamente, não a última”. Visivelmente emocionada e com a voz embargada, reforçou ter sido uma honra servir o país que ama.
Ameaça de quarta derrota no Parlamento
May mantém-se em funções até que seja eleito um novo líder. Isso não deverá acontecer até ao final de julho. Será a primeira-ministra a receber o Presidente dos EUA, Donald Trump, entre 3 e 5 de junho.

Há algumas figuras do partido Conservador que já se tinham perfilado para a sucessão a May, incluindo Boris Johnson, um dos ministros do Brexit do atual Governo, que abandonou funções.

Numa primeira fase, os deputados candidatos a líder são sujeitos a uma série de votações dentro do grupo parlamentar até restarem apenas dois, e só depois é feita uma eleição geral com os votos dos militantes do partido.

Enquanto primeira-ministra, não pode renunciar até que esteja em posição de dizer à rainha Isabel II quem esta deve nomear como sucessor.

May já tinha prometido em março que iria sair, mas na altura pediu para "acabar o trabalho", assumindo como missão implementar o resultado do referendo de 2016 que determinou o Brexit.

Mas a pressão sobre Theresa May aumentou nos últimos dias, incluindo dentro do governo e de deputados até agora fiéis, devido à perspetiva de o acordo de saída da União Europeia ser chumbado no parlamento por uma quarta vez.

Apresentada na terça-feira, a nova proposta de lei para o Brexit estava prevista para ser votada a 7 de junho e incluía como novidade a possibilidade de voto sobre um novo referendo, o que desagradou a vários ministros.

As três anteriores propostas de ‘Brexit’ negociadas pela primeira-ministra britânica com Bruxelas foram rejeitadas por maiorias parlamentares, conduzindo a um impasse que obrigou Londres a prolongar o prazo de saída da União Europeia até 31 e outubro.

A primeira-ministro encentou nas últimas semanas várias reuniões com o líder da oposição Jeremy Corbyn, mas não conseguiram chegar a qualquer entendimento sobre o Brexit.



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