Três partidos timorenses juntam-se na Aliança Democrata

por Lusa
As forças políticas timorenses começam a movimentar-se face às legislativas de maio D.R.

Três forças políticas timorenses, uma das quais ainda não está registada, tencionam apresentar-se nas eleições legislativas previstas para maio na coligação Aliança Democrata que, segundo um responsável, espera ultrapassar a barreira de eleição de deputados.

Jorge Teme, ex-deputado e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, explicou à Lusa que a coligação vai reunir o seu próprio partido, a Aliança Nacional Democrata (AND), cujo processo de registo ainda não está concluído, e ainda o Partido de Desenvolvimento Popular (PDP) e o Partido Liberta Povo Aileba (PLPA).

"Eu vou liderar a coligação. O meu partido ainda está no processo de registo, mas os nossos militantes vão participar na coligação AD. Fui eu próprio que fiz a aproximação com o PDP e o PLPA para que a coligação possa avançar", explicou à Lusa.

Tanto o PDP como o PLPA já se apresentaram a votos, tanto sozinhos como noutras coligações, ainda que em nenhum dos casos tenham chegado à barreira mínima necessária para eleger deputados, fixada atualmente em 4% dos votos válidos.

Na atualidade e usando como barómetro os votos válidos das presidenciais do ano passado - o total de eleitores deve aumentar para as legislativas previstas para maio - essa barreira poderá representar cerca de 26 mil votos.

Teme mostra-se confiante, referindo-se aos cerca de 15 mil votos que o PDP e o PLPA conseguiram na votação de 2017 a que se somarão a base de apoio da AND, especialmente no enclave de Oecusse-Ambeno, onde nasceu.

"Sou o primeiro 'oecusseano' a fundar um partido político. Tenho muitos simpatizantes e apoiantes que me aconselharam a formar este partido político e que me estimularam para avançar", explicou.

As três forças políticas reuniram-se em conferência nacional na semana passada em Díli, reafirmando o apoio à liderança de Jorge Teme, com os dirigentes das forças políticas a iniciarem depois encontros de consolidação noutros pontos do país.

As mudanças que propõe

Questionado sobre a plataforma política da AD, Teme defende uma "transformação" em áreas chave, destacando setores como a educação, agricultura, infraestruturas, comércio e indústria e a necessária "reforma legislativa e da justiça", que "não pode ser apenas para o povo, mas tem que ser para todos".

A AD, explicou, quer que o governo aloque mais dinheiro ao setor agrícola, "acompanhando os agricultores a saírem da subsistência" para melhorarem a produção e, apostando em alguns produtos e no fator orgânico, conseguir competir com a região.

No setor da educação a aposta é numa reforma do currículo, para "orientar os estudantes para que alguns, quando terminem o secundário, possam criar os seus próprios empregos".

E, entre outras propostas, considera que os chefes de suco (divisão administrativa) do país deveriam ter carros para poder adequadamente apoiar a população, especialmente nas áreas rurais e mais isoladas.

Até recentemente assessor principal no Ministério das Obras Públicas e hoje "concentrado apenas no partido", define-se como membro da "geração continuadora", depois dos líderes fundadores do país, e considera haver uma crescente compreensão sobre "uma nova geração como uma nova dinâmica política para continuar a política e o desenvolvimento nacional".

Caso eleja deputados, disse, a AD estará disponível para colaborar com o partido mais votado, escusando-se a avançar qual dos dois grandes favorece, a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) -- de que foi membro e que está atualmente no Governo -- ou o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), de Xanana Gusmão, na oposição.

 

 

 

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