Tripulação de avião viu míssil da Coreia do Norte

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Em junho, a Coreia do Norte havia lançado dois mísseis. A juntar ao da passada quarta-feira, a Coreia do Norte tem agora três mísseis balísticos Intercontinentais (ICBM).
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A tripulação de um avião da Cathay Pacific garantiu ter visto na quarta-feira a passagem do míssil norte-coreano lançado pelo regime de Pyongyang. O líder da Coreia do Norte diz que este míssil é capaz de “alcançar todo o território dos Estados Unidos”.

A companhia aérea de Hong Kong sobrevoava o Japão quando a tripulação testemunhou o que pareceu ser a reentrada do míssil norte-coreano na atmosfera da Terra, explicaram à BBC.

O míssil, com o nome Hwasong-15, foi disparado em direção a leste a 25 quilómetros da capital norte-coreana, por volta das 3h17, 18h17 de terça-feira em Portugal.

Percorreu cerca de 960 quilómetros e atingiu mais de quatro mil quilómetros de altitude, para depois se despenhar no Mar do Japão. Esta é a maior altitude alcançada por um míssil norte-coreano.

A tripulação do voo da Cathay Pacific reportou o avistamento do míssil, segundo indica o South China Morning Post. “Tenham cuidado, testemunhámos um míssil norte-coreano a explodir e a cair perto da nossa localização”.

Em junho, a Coreia do Norte havia lançado dois mísseis. A juntar ao da passada quarta-feira, a Coreia do Norte tem agora três mísseis balísticos Intercontinentais (ICBM).

Este último tem a capacidade de atingir alvos a 13 mil quilómetros, chegando ao alcance de Washington.
Exercício dos EUA e da Coreia do Sul
O lançamento teste do míssil aumentou a tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos e a Coreia do Sul. Esta segunda-feira os dois países começam o maior exercício conjunto aéreo, observado pela Coreia do Norte como “uma provocação”.

As manobras militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul foram organizadas após o disparo do míssil da Coreia do Norte na quarta-feira passada.O exercício, denominado de “Vigilant Ace”, deverá prolongar-se durante cinco dias. Fazem parte 230 aviões, os caças furtivos F-22 Raptor e milhares de soldados. Este tipo de práticas aumenta a tensão entre os três países.

Cerca de 12 mil membros da marinha ao serviço dos Estados Unidos vão juntar-se às tropas sul coreanas, explica a Reuters.

A Guerra da Coreia aconteceu há mais de 60 anos. Com o clima de tensão e insultos entre o líder norte-coreano e Donald Trump, aumentam os receios de que um novo conflito possa vir a acontecer.
Perigo para os aviões
Ao contrário de outros países, a Coreia de Norte não anuncia os testes de mísseis, o que pode pôr em risco voos comerciais que estejam a sobrevoar a área.

Ainda assim, a BBC veio referir que, segundos os especialistas, a probabilidade de um míssil da Coreia do Norte atingir um voo comercial é baixa, mas o risco existe.

Como acontece com outros países, a Coreia do Norte tem acesso a dados internacionais de aviação. Essa informação permite aos cientistas estudar o espaço aéreo e saber qual a área livre para lançar o míssil.

“Se um passageiro do avião fosse atingido, a pressão para uma resposta militar pelos Estados Unidos e aliados iria crescer ainda mais”, explicou à BBC Vipin Narang, um professor associado e especialista em segurança na Ásia do Sul do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Apesar de ser um cenário improvável, não deixa de ser uma hipótese. Caso aconteça atuará como um dispositivo para começar uma guerra, acrescenta o professor.

“Algumas companhias aéreas indicaram estar a mudar as rotas dos seus voos para evitar voar sob a Coreia do Norte e a área entre a Coreia do Norte e Hokkaido, disse à BBC Ellis Taylor, analista de aviação da FlightGlobal.

A companhia aérea Air France já alterou a sua trajetória, demorando cerca de mais 10 a 30 minutos para chegar ao seu destino.

“Esta decisão surgiu depois de um avião da companhia ter estado a cerca de 100 quilómetros de um anterior míssil da Coreia do Norte”, disse Ellis Taylor.
O que pode correr mal?
Apesar de o risco de atingir voos comerciais ser raro, são dois os fatores que podem fazer aumentar a ocorrência de um acidente.

O primeiro fator prende-se com o míssil seguir a trajetória errada, pois é um lançamento experimental. O segundo relaciona-se com a possibilidade de o míssil se desintegrar no ar, criando detritos que atingem os outros aviões.

No caso de o míssil seguir a trajetória errada, poderá entrar num “espaço congestionado”, ou seja, que tenha voos comerciais.

Se o míssil se desintegrar poderá criar um “campo de detritos que é um risco para os aviões que estão em altitudes altas”, explica a BBC.

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