Trump aceita suspender pela "última vez" sanções ao Irão

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Donald Trump dia 12 de janeiro na Casa Branca antes de assinar uma proclamação em honra de Martin Luther King
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O Presidente norte-americano deverá anunciar em breve que decidiu prolongar por mais alguns dias a suspensão de sanções económicas ao Irão no âmbito do acordo nuclear com Teerão, mas vai sublinhar que esta é a "última vez" que o faz, afirmaram altos responsáveis da Casa Branca esta sexta-feira, antecipando a oficialização da decisão.

Donald Trump vai repetir, afirmam, que irá retirar unilateralmente os EUA do acordo nuclear com o Irão caso os "erros" de que este enferma não sejam corrigidos nos próximos 120 dias.

"A decisão do Presidente é suspender mais uma vez as sanções nucleares", "de modo a permanecer no acordo" assinado em 2015 pelo seu predecessor, Barack Obama, admitiu à imprensa um alto responsável da Casa Branca.

Mas, acrescenta, "o Presidente vai também dizer claramente que é a ultima suspensão que vai assinar".

Irão reage
Teerão não perdeu tempo e, mesmo antes do anúncio oficial da decisão, já veio dizer - também de forma não-oficial - que esta mina um acordo multilateral até agora sólido.

A reação veio do ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros e foi publicada na sua página da rede social Twitter - o meio de eleição de Trump para comentar acontecimentos.

"A política de Trump & o anúncio de hoje equivalem a uma tentativa desesperada para sabotar um acordo multilateral sólido, violando maliciosamente os seus parágrafos 26, 28 & 29. JCPOA (o acordo nuclear) não é renegociável: mais do que repetir retórica estafada, os EUA têm de se colocar de modo a cumpri-lo na totalidade - tal como o Irão", escreveu Mohammad Javad Zarif na sua conta oficial.
Aditamento duro
A próxima decisão sobre a suspensão ou não da maioria das sanções deverá ser tomada dentro de 120 dias.

Ate lá, Trump "pretende trabalhar com os parceiros europeus - os restantes signatários do acordo, a França, a Alemanha e o Reino Unido, além da China e da Rússia - para um acordo de aditamento", que visa endurecer as condições do texto de 2015, acrescentou a mesma fonte.

O Presidente quer nomeadamente incluir neste "acordo complementar" a reserva da possibilidade de impor as sanções em caso de incumprimento do acordo original por parte do regime iraniano. Teerão não deverá participar na redação deste aditamento.

Para Trump, o regime de Teerão é responsável por grande parte da agitação do Médio Oriente e a possibilidade de que adquira armas nucleares tem sido uma preocupação para as Administrações norte-americanas mais recentes.
Sanções do Tesouro
Contrabalançando a decisão tomada pela Casa Branca, o Tesouro americano propôs esta sexta-feira novas sanções específicas contra 14 pessoas ou entidades iranianas por "violações dos Direitos do Homem" ou por ligações ao programa balístico iraniano.

São sanções que não têm ligações diretas ao programa nuclear iraniano, já que recupera-las ou voltar a impo-las equivaleria à morte imediata do acordo de 2015.

A Casa Branca afirma que a presença nesta lista "terá consequências políticas sérias" pois equivale a atingir "a cúpula do regime". Os Estados Unidos, contudo, assumem esta "mensagem forte", afirma um alto funcionário.
Os visados
Um dos principais visados pelas sanções do Tesouro é o chefe da Autoridade Judiciária iraniana, Sadegh Amoli Larijani.

O Tesouro dos EUA considera-o responsável por, no exercício do seu cargo, dar seguimento a veredictos "em contravenção com as obrigações internacionais do Irão, incluindo a execução de pessoas que eram menores de idade na altura dos seus crimes", ou a "tortura" de prisioneiros.

A prisão de Rajee Shar, onde "estão detidos numerosos iranianos que protestarem recentemente contra o seu Governo", numa vaga de manifestações nacionais que fizeram 21 mortos, é igualmente visada na lista das novas sanções do Tesouro.

Indústrias de Defesa iranianas, o Conselho Supremo para o ciberespaço e uma organização de defesa cibernética que depende dos corpo de élite dos Guardas da Revolução, são outras entidades incluidas na lista.

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Acordo Nuclear, Irão, Teerão, Donald Trump,

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