Trump promete mobilizar recursos "civis e militares" para conter "motins"

por Mário Aleixo - RTP
Donald Trump recusa-se a compreender os protestos dos norte-americanos pela morte de George Floyd Shawn Thew - EPA

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou os protestos contra a morte de George Floyd como "terror interno", enquanto a polícia dispersava com gás lacrimogéneo os manifestantes concentrados em frente à Casa Branca, em Washington.

Os disparos das autoridades contra os manifestantes, que têm saído à rua um pouco por todo o país na sequência da morte do cidadão afro-americano George Floyd devido a uma ação policial, eram audíveis ao longo dos cerca de 16 minutos de discurso de Donald Trump, transmitido pela página da Casa Branca na rede social Twitter.

"Isto não são protestos pacíficos, isto são atos de terror doméstico, é a destruição de vidas inocentes. O derrame de sangue humano é uma ofensa contra a humanidade e um crime contra Deus", considerou o Chefe de Estado norte-americano.

Trump explicitou que, "nos últimos dias, a nação ficou agarrada por anarquistas" e "multidões violentas", tendo anunciado "ações presidenciais imediatas para parar a violência e restaurar a segurança" no país.


"Vou mobilizar todos os recursos federais disponíveis, civis e militares, para parar os motins e as pilhagens [...], e proteger os norte-americanos que obedecem às regras", prosseguiu Trump.

Donald Trump recomendou também "veementemente a todos os governadores" para "mobilizarem a Guarda Nacional em número suficiente para dominar as ruas".

Se os autarcas e os governadores "falharem", o presidente ameaçou que não terá quaisquer problemas em mobilizar os militares norte-americanos, considerando-se um "aliado dos protestos pacíficos".

"A minha primeira obrigação enquanto presidente é defender o nosso grande país e o povo norte-americano", realçou Trump, durante a comunicação ao país, acrescentando que a morte de Floyd "não vai ser em vão" e que "será feita justiça".
Depois da conferência de imprensa, o presidente norte-americano caminhou até à Igreja Episcopal de São João, localizada perto da Casa Branca, e que ficou degradada na sequência de atos de vandalismo à margem os protestos contra o racismo da noite anterior.

A chegar à apelidada igreja dos presidentes, onde deflagrou um incêndio na noite de domingo, Trump agarrou numa Bíblia e disse que os Estados Unidos são "um ótimo país".

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.
Quatro polícia baleados
Quatro agentes da polícia foram alvejados a tiro, na última noite, durante protestos em St. Louis, no Estado do Missouri. As manifestações começaram pacificamente, mas degeneraram em violência.

O departamento de polícia publicou no Twitter que os agentes foram transportados para um hospital com ferimentos que não se acredita serem fatais. Ficou por esclarecer quem disparou os tiros.

Na segunda-feira à tarde, várias centenas de pessoas reuniram-se pacificamente no centro de St. Louis, incluindo a autarca Lyda Krewson e o diretor de segurança pública da cidade, Jimmie Edwards.

À noite, os manifestantes reuniram-se em frente à sede da polícia, onde as forças de segurança dispararam gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.

Alguns manifestantes vandalizaram lojas e participaram em pilhagens antes de incendiarem o prédio.

Também na segunda-feira duas pessoas morreram durante distúrbios em Cicero, Chicago.

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