Trump corta gastos sociais e ambientais para elevar orçamento militar

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Donald Trump e Mick Mulvaney
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Se for aprovado o orçamento proposto pela Casa Branca, as despesas militares atingirão um nível nunca visto. A protecção do meio ambiente e das camadas mais pobres da população pagará a factura.

O orçamento ontem proposto pelo presidente Donald Trump andará pelos 4,4 biliões de dólares, cortando no apoio às camadas pobres da população (programas alimentares e Medicare) e nos programas de defesa do meio ambiente, para permitir gastos militares astronómicos.

Mesmo assim, segundo observa The New York Times, os cortes ficarão longe de cobrir o aumento das despesas militares e o défice irá disparar - com mais 984 mil milhões do que no ano passado -, ilustrando "como os republicanos se afastaram do seu velho apego aos orçamentos equilibrados". A este ritmo, calcula-se que nos próximos dez anos o défice acumulado cresça até sete biliões de dólares.

O mesmo New York Times, conhecido pela sua hostilidade ao actual inquilino da Casa Branca, recorda que, enquanto homem de negócios, Trump se vangloriara em tempos de ser "o rei da dívida" e acrescenta que o presidente está agora em vias de confirmar o merecimento desse cognome num cargo completamente diferente.

A proposta orçamental que aparece agora pela mão do presidente contradiz o acordo entre republicanos e democratas, visando a política orçamental dos próximos dois anos. Este acordo pressupunha que a despesa aumentaria nuns ainda assim substanciais 300 mil milhões. Foi assinado pelo presidente há poucos dias, mas vê-se agora ignorado pela proposta de orçamento, que prevê gastos sociais inferiores aos do acordo e gastos globais superiores, devido ao espectacular aumento das verbas previstas para o Pentágono.

Caso seja aprovado o orçamento proposto pelo presidente, os gastos militares aumentarão nos próximos dois anos em 195 mil milhões de dólares e os gastos não militares em 131 mil milhões. Os gastos não militares que a Casa Branca propõe para 2019 andariam pelos 540 mil milhões, o que equivale a um corte de 57 mil milhões no que o acordo bipartidário previa.

Mas os cortes que atingirão os programas de ajuda alimentar aos mais pobres e de assistência médica serão ainda mais drásticos, apontando para 30 por cento ao longo da próxima década e atingindo 1,8 biliões de dólares.

Por outro lado, nem toda despesa não militar é cortada com o mesmo zelo e, segundo o plano de Trump e do seu director orçamental, Mick Mulvaney, o investimento federal em infraestruturas aumentará constantemente ao longo da próxima década, começando com 44.600 milhões de dólares em 2019.
Relutância na Câmara dos Representantes
A anunciada proposta orçamental do presidente está a ser acolhida com reserva por representantes eleitos de ambos os partidos. O congressista republicano do Estado de Dakota do Norte, Kevin Cramer, já se manifestou contra os "cortes drásticos" no programa federal de seguro de colheitas, ao passo que Ed Royce, republicano da Califórnia e presidente do comité dos Negócios Estrangeiros, profetizou que os legisladores de ambos os partidos voltariam a rejeitar "cortes profundos" no orçamento do Departamento de Estado e da ajuda externa.

Do lado democrata, a democrata de Nova Iorque Nita M. Lowey foi ao ponto de classificar a proposta de Trump e Mulvaney como um orçamento do "país da fantasia" e o senador democrata de Nova Iorque Chuck Schumer afirmou: "É espantoso que apenas seis semanas depois de ter reduzido os impostos para os ricos e para as grandes empresas, criando um défice enorme, o presidente peça aos americanos idosos e aos americanos de classe média que paguem a diferença cortando na Medicare e na Medicaid”.

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