Trump e Irão. Memorandos britânicos denunciam "vandalismo diplomático"

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O diplomata de Carreira Kim Darroch deixou de ser o embaixador do Reino Unido em Washington na sequência da publicação de memorandos críticos da Administração Trump
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Donald Trump deitou por terra o acordo de 2015 sobre o programa nuclear do Irão por “rancor” para com o antecessor na Casa Branca, Barack Obama. É o que sugere mais um memorando da representação diplomática do Reino Unido em Washington, revelado este domingo pela imprensa britânica. Uma comunicação conhecida já após a queda em desgraça do diplomata de carreira Kim Darroch.

Darroch demitiu-se do cargo de embaixador britânico nos Estados Unidos depois de o Mail on Sunday ter tornado público, há uma semana, um conjunto de memorandos da embaixada em Washington para Londres com apreciações que demoliam a credibilidade do gabinete de Trump. O jornal mantém o dossier aberto.Ao abrigo do acordo de 2015, as autoridades do Irão comprometeram-se a limitar as atividades do seu programa nuclear consideradas sensíveis, abrindo as portas da República Islâmica a inspetores internacionais. Isto em troca de um alívio nas sanções económicas.


Trata-se, agora, de uma comunicação de Kim Darroch sobre o abandono, por parte do 45.º Presidente norte-americano, do acordo internacional selado em 2015 com o Irão, sob os auspícios da Administração democrata de Barack Obama. Nesse memorando, o embaixador descrevia a decisão de Donald Trump como um gesto de “vandalismo diplomático”.

O texto em causa foi redigido depois de o então ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, agora candidato à sucessão de Theresa May à frente dos conservadores britânicos e dos destinos do Reino Unido, ter apelado, em 2018, a Washington para que preservasse o acordo.

Darroch escreveu mesmo que Trump aparentava estar a pôr de parte o acordo apenas por “razões de personalidade”. E por “rancor” para com o anterior Presidente.

Ainda segundo o – à data – embaixador britânico em Washington, a Administração Trump revelou-se incapaz de “articular uma estratégia para o dia seguinte; e os contactos com o Departamento de Estado, esta manhã, sugerem que não há plano para contactar parceiros e aliados, na Europa ou na região”.

Os primeiros memorandos publicados pelo Mail on Sunday mostraram um embaixador com uma avaliação negativa do desempenho da Administração anfitriã, descrevendo-a como “desastrada e inepta”. O que levou Trump a lançar-se em mais uma diatribe na rede social Twitter: o Presidente referiu-se a Darroch como “um tipo muito estúpido” com quem a sua Casa Branca deixaria de “lidar”.
Aviso aos jornalistas

As últimas revelações da imprensa britânica surgem depois de a Scotland Yard ter advertido a comunicação social do país contra a publicação de memorandos diplomáticos. Algo que estaria em rota de colisão com a denominada Lei dos Segredos Oficiais, segundo a polícia britânica.

Na esteira da demissão de Kim Darroch – o diplomata nunca deixou de contar com o apoio público do Governo de Londres -, as autoridades britânicas abriram uma inquérito criminal para apurar a fonte da fuga de informação. O subcomissário da Scotland Yard Neil Basu sublinhou o que disse ser o “claro interesse público” deste objetivo.

O Mail on Sunday defendeu-se com o argumento de que a revelação das comunicações diplomáticas se reveste igualmente de interesse público. “O que pode ser mais do interesse público do que uma melhor compreensão de como se chegou a uma posição que pode ter sérias consequências para a paz mundial?”, perguntou um porta-voz do jornal.

Por sua vez, o Sunday Times noticia que terá sido identificado um suspeito da fuga de informação.

“Eles pensam saber quem fez a fuga. Trata-se agora de construir um caso que se sustente em tribunal. Foi alguém com acesso a ficheiros históricos. Eles entraram e apoderaram-se de um conjunto de materiais. Foi bastante rude”, adiantou ao jornal uma fonte do Governo britânico, a coberto do anonimato.

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