Ucrânia. China defende que preocupações da Rússia "são legítimas"

por RTP
Wang Yi, ministro dos Negócios Estrangeiros da China Issei Kato - Reuters

A China manifestou apoio à Rússia no âmbito da crise da Ucrânia, defendendo, em conversa telefónica com o secretário de Estado norte-americano, que as suas preocupações “são legítimas” e devem ser “levadas a sério”.

Em conversa telefónica com o secretário de Estado norte-americano, Anthony Blinken, Pequim defendeu que as preocupações de segurança por parte da Rússia a respeito da crise na Ucrânia “são legítimas” e devem ser “levadas a sério”.

Todas as partes devem abandonar completamente a mentalidade da Guerra Fria e formar um mecanismo de segurança europeu equilibrado, eficaz e sustentável através de negociações”, disse o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, esta quinta-feira, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Em defesa da Rússia, que se opõe à expansão da NATO na Europa, Wang Yi argumentou que a "segurança regional não pode ser garantida pelo fortalecimento ou expansão de blocos militares". O chefe da diplomacia chinesa disse ainda que a China se opõe à “interferência externa” na forma como outros países são administrados.

"Pedimos calma a todas as partes, que se abstenham de aumentar as tensões e de escalar a crise", apelou Wang.

Nas últimas semanas, a Rússia tem vindo a acomodar um grande número de tropas na fronteira com a Ucrânia – algo que os países ocidentais veem como uma preparação para uma eventual invasão. Moscovo, por sua vez, nega que esteja a planear uma acometida à sua vizinha Ucrânia, mas pede garantias de que o país não se juntará à NATO.

Em dezembro, Moscovo enviou a Washington uma lista de propostas que incluía, entre outras exigências, o não alargamento da NATO à Ucrânia e à Geórgia, assim como a retirada das forças e armamentos dos países do leste europeu que aderiram à aliança após o fim da Guerra Fria.

Os EUA cumpriram o prazo de resposta e enviaram, na quarta-feira, um documento escrito à Rússia onde apresentam propostas para resolver a crise em Kiev. Washington não cedeu à exigência russa sobre o não alargamento da aliança à Ucrânia, mas ofereceu "uma via diplomática séria, se a Rússia desejar".

A Rússia, por sua vez, disse que a resposta dos EUA e da NATO não deixa “muito espaço para o otimismo” ao não abordar “as principais preocupações de Moscovo”. Apesar disso, a Rússia vê agora mais abertura ao diálogo.
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