Alexandre Brito

Mudar para não morrer

No dia 1 de julho um dos maiores jornais portugueses acaba com a edição diária em papel e transforma-se num produto essencialmente digital, apesar de continuar a criar uma edição em papel, aos domingos. Mais um sinal destes tempos incertos para o jornalismo. Vida nova para o Diário de Notícias.

Não conheço ao pormenor as razões para esta transformação, mas acredito que também os responsáveis pelo jornal, tal como muitos outros em todo o mundo, fizeram as contas e perceberam que o benefício de produzir o jornal em papel já não justifica o custo. 

Infelizmente, será essa a razão principal. É um sinal deste tempo em que vivemos. Cada vez mais digital.

Um passo arriscado, é certo, mas também corajoso.

Há uns tempos recordo ter lido um artigo em que um antigo responsável pela Nokia, então líder mundial de telemóveis, falava sobre o descalabro da empresa. Dizia ele que a Nokia estava a fazer tudo bem. Só que outros fizeram melhor.

Ou seja, a empresa não percebeu o que estava a acontecer no mercado. Não percebeu que tinha que mudar o modelo de negócio rapidamente para se adaptar à nova realidade. E bastou um produto para acabar com a Nokia. O iPhone da Apple. Fizeram melhor.

O que o Diário de Notícias vai agora fazer é difícil, doloroso. A publicidade escasseia. E passou em boa parte a estar controlada pelas grandes empresas mundiais como a Google e Facebook.

E os processo internos são sempre muito complicados. É preciso mudar as mentalidades de centenas de pessoas numa empresa histórica que toda a vida esteve habituada a trabalhar para o papel.

Mas a mudança tinha que acontecer. Ou era agora, ou o jornal mais ano menos ano teria que fechar.

É que ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, o impacto do digital nas nossas vidas está apenas no começo. A curva de crescimento no início e é exponencial.

O 5G - com velocidades de internet muito mais rápidas do que temos hoje - e dados móveis ilimitados vão acelerar o processo nos próximos tempos. Mais cedo que possamos pensar.

E nessa altura só quem percebeu a tempo que tinha que mudar é que vai aguentar o verdadeiro impacto do digital. 

Isto ainda agora começou. Na minha opinião, o Diário de Notícias faz bem. Muda para não morrer.

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