Alexandre Brito

O negócio das armas

O massacre em Las Vegas revela uma vez mais um país disfuncional, que não consegue proteger os cidadãos no próprio território. O mesmo país que anuncia uma guerra global contra o terrorismo, fora de portas, mas que não quer combater essa ameaça dentro de casa. A cultura das armas está muito enraizada na América. Está até consagrada na Constituição - Segunda Emenda aprovada em 1791-, por razões históricas relacionadas com a luta pela independência. Mas nos dias de hoje há apenas uma razão pela qual nenhum presidente norte-americano conseguiu enfrentar este problema: dinheiro.

É um negócio que movimenta milhões. E esse milhões alimentam lobbies que por sua vez controlam a política norte-americana de forma a impedir que sejam aprovadas leis para apertar o cerco ao uso e porte de armas.


Barack Obama ainda tentou fazer qualquer coisa. Aprovou legislação para impedir que pessoas com problemas mentais graves pudessem ter acesso a armas. Uma medida que foi em fevereiro deste ano anulada por Donald Trump.

Não é fácil perceber esta relação dos norte-americanos com as armas. Até admito, num país com aquela dimensão, que o porte de armas possa fazer sentido em zonas remotas do território. Será uma medida de segurança perante a eventual ausência das autoridades. Mas permitir que pessoas com problemas mentais tenham acesso a armas só pode ter um fim: 59 mortos em Las Vegas.

It´s all about the money, diz a música. É é mesmo. Para se ter uma ideia da dimensão deste negócio é preciso olhar para os números. São muito claros. Num artigo publicado online, a CNN diz que os norte-americanos têm cerca de metade (48 por cento) de todas as armas na posse de civis em todo o mundo. São 310 milhões de um total de 650 milhões.

Os americanos são também o país com o maior número de armas per capita. São 89 em cada 100. Logo a seguir fica o Iémen, depois a Suíça (curioso, digo eu), Finlândia, Sérvia, Chipre, Arábia Saudita, Iraque, Uruguai e Suécia.

É fácil perceber a dimensão do negócio. Uma vez mais, aqui, as mortes são colaterais.

It´s all about the money. 

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