Alexandre Brito

Quanto vale um post de Ronaldo no Instagram? O fabuloso mundo dos influenciadores

A publicidade está a mudar. A forma como as marcas chegam aos consumidores está a mudar. Ou melhor, já mudou. É um facto. O mundo digital e as redes sociais romperam com o tradicional. E quem ganha com esta alteração? A Google e o Facebook, já sabemos. Mas também as grandes figuras internacionais que são pagas a peso de ouro. São impressionantes os valores que cobram. São os chamados influenciadores.

A Hopper HQ, uma plataforma que facilita o processo de agendamento de posts no Instagram, publicou uma lista com as figuras internacionais mais valiosas nesta rede social.

Utilizando dados internos e informação pública, a Hopper divulgou os valores que os agora chamados influenciadores cobram para publicarem no Instagram um post pago pelas marcas.

São dados relativos a 2017, pelo que até já podem estar desatualizados. Mas nunca para menos. E são impressionantes.

Vamos a números:

1 - Selena Gomez - 550 mil dólares por post

2 - Kim Kardashian - 500 mil dólares por post

3 - Cristiano Ronaldo - 400 mil dólares por post

4 - Kylie Jenner - 400 mil dólares por post

5 - Kendal Jenner - 370 mil dólares por post

6 - Khloe Kardashian - 250 mil dólares por post

7 - Kourtney Kardashian - 250 mil dólares por post

8 - Cara Delevingne - 150 mil dólares por post

9 - Gigi Hadid - 120 mil dólares por post

10 - Lebron James - 120 mil dólares por post

Mas afinal por que é que as marcas pagam estes valores. Simples. O número de seguidores destes influenciadores é fabuloso.

Ronaldo, por exemplo, tem atualmente 120 milhões de pessoas que o seguem no Instagram.

Aliado a isto está o facto de o meio tradicional para onde era canalizado - e ainda é, diga-se – o investimento publicitário, estar cada vez mais fragmentado e fechado.

O caso do futebol é um bom exemplo. Como é que as marcas atingem o público se os jogos são transmitidos, cada vez mais, em sinal fechado, para um universo consideravelmente menor.

Mas também pela ligação afetiva que criam. Daí o termo influenciadores. Eles não vendem. Influenciam. São muito mais do que um veículo publicitário. Têm o poder de influenciar de forma positiva o sentimento em relação às marcas. De forma direta, próxima.

Se o Cristiano Ronaldo usa, eu também quero, é esta, na prática, a mensagem que passa.

O que esta realidade está também a criar é um desinvestimento publicitário nos meios tradicionais. Em particular nos meios de comunicação social. E isso é preocupante.

Os jornais, as televisões, as rádios, na maior parte dos casos, dependem do investimento publicitário. É esse dinheiro que garante o seu funcionamento. É esse dinheiro que garante o jornalismo de qualidade.

Sem esse investimento publicitário, aos poucos, os meios de comunicação vão enfraquecer. Muitos terão até que fechar. Não faltam exemplos por esse mundo fora.

É fundamental pensar nisto. Sem comunicação social forte, sem jornalismo credível e responsável, as democracias ficam debilitadas.

E não é possível esperar para ver o que acontece. Achar que estamos perante uma moda, um momento na história, e que tudo voltará ao normal.

Bem pelo contrário, estamos apenas no início de uma transformação rápida e que não vai parar.

E ou mudamos e nos adaptamos, ou morremos. E no final perdemos todos.

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