Pedro Sánchez: “abatido” dentro do próprio partido

A crise política que se arrasta há mais de 9 meses em Espanha tem uma vítima anunciada, que dificilmente poderá resistir à vertigem dos acontecimentos e da pressão mediática dos próximos dias. Pedro Sánchez, que conduz os destinos do Partido Socialista desde o verão de 2014, está a ser “varrido” da liderança por alguns dos barões do PSOE. Basquetebolista profissional no Estudiantes, que abandonou para se dedicar ao doutoramento em Economia e à política, dificilmente vai conseguir ganhar este jogo.

“Não sai a bem, sai a mal”. Mais de metade da comissão executiva dos socialistas demitiu-se para forçar a saída do secretário-geral que já ganhou lugar na história do partido e da democracia espanhola. Pedro Sánchez conseguiu os piores resultados de sempre para o PSOE em eleições gerais (90 deputados a 20 de dezembro de 2015 e 85 a 26 de junho de 2016) e foi o primeiro candidato a Presidente do Governo de Espanha a chumbar numa sessão de investidura no Congresso dos Deputados. O primeiro a sair como entrou, sem chegar à Moncloa. Sánchez é a primeira vítima do fim do bipartidarismo e de uma nova realidade democrática, que exige pactos, acordos e responsabilidade política.

Felipe González lançou o isco. “El Presidente” González, que esteve ao lado de Pedro no encerramento da última campanha eleitoral, a 24 de junho, atirou a primeira pedra. Numa entrevista, às primeiras horas da manhã, quando milhões de espanhóis ouviam a Cadena SER a caminho da escola ou do trabalho, Felipe González revelou que se “sentia enganado” por Sánchez. Assegurou que o líder socialista lhe disse que ia abster-se na segunda votação de Mariano Rajoy e, assim, permitir o fim da crise política em Espanha.

As declarações do senador socialista caíram como uma bomba. Pedro Sánchez respondeu de imediato. Num comunicado, lembrou que o partido tinha decidido pelo voto contra Rajoy, por um Governo alternativo, desafiou os críticos, em especial a Presidente Andaluza, Susana Díaz, a dizer de que lado estão.

Durante a tarde 17 barões (mais de metade dos que integram a Direção do PSOE) apresentaram demissão. A dois dias da reunião do Comité Federal, tentam impedir que o principal órgão do partido entre congressos possa submeter a votação, exatamente, a marcação de um congresso extraordinário e de eleições primárias para 23 de Outubro.

Não querem contar espingardas. Querem uma saída, já. Extinguir a direção e o poder do Secretário-Geral, que fica isolado, enfraquecido. Este sábado, na Calle Ferraz, sede do PSOE, Sánchez deverá fazer o discurso mais importante da liderança de dois anos, quando se dirigir aos 290 membros do Comité. No entanto, de acordo com os estatutos, sem metade da comissão executiva, desprovido de poder, de pouco lhe deverá valer.

Susana Díaz, principal adversária, até agora num jogo de sombras, diz que “estará onde quiserem os socialistas, na liderança ou na retaguarda”.

Pablo Iglesias foi dos primeiros a reagir nas redes sociais. Num tweet escreveu “Tenho muitas diferenças com Sánchez, mas tentar derrubar um secretário-geral, eleito pelas bases, com demissões é uma fraude”.

Na Moncloa, Rajoy já deve ter telefonado a González… só para agradecer.

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