João Fernando Ramos

A brincar com a nossa ajuda...

Começo por voz dizer que me dá uma tremenda volta ao estômago só de pensar que os dinheiros e a ajuda dos portugueses para as vítimas dos incêndios não esteja a ser entregue a quem o destinámos. Não tenho nenhum dado que aponte para qualquer irregularidade, bem pelo contrário.

O que me contam é que efetivamente a reconstrução já começou, ao ritmo lusitano, com um ligeiro incremento, que não há pessoas com falta de alimentos nem roupas, que a ajuda aos que se confrontam com a natural burocracia que permita um controlo destes donativos tem sido significativa e eficaz.

A política estragou o debate, lançou as dúvidas, aproveitou o que de pior tem este povo, que foi altruísta, genuíno e deu tudo o que tinha, mas que agora está desconfiado. Devemos aprender com o que aconteceu.

A ideia do fundo REVITA é boa e deve fazer escola para próximos apelos à nossa solidariedade. As instituições devem estar unidas na resposta e a nossa ajuda tem que ser logo encaminhada para quem tenha depois a capacidade de nos tranquilizar e de executar a nossa vontade de ajudar.

Distribuir por mil entidades, sem nenhum controlo, sem articulação entre elas contribui para uma dúvida insustentável quando falamos em solidariedade genuína, perante uma tremenda tragédia.

Merecemos todos que esta dúvida que tem pairado, muito alimentada pela vontade de cativar ou tirar mais um voto, nunca mais se repita.

Este verão está cheio de lições que não poderemos esquecer, quando chegar o inverno e as chuvas que não vão lavar tudo.

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Na Grande Entrevista da RTP, o ministro João Matos Fernandes lamentou que os problemas ambientais sejam muitas vezes menorizados.

Foi considerado o “pior dia do ano” em termos de fogos florestais, com a Proteção Civil a registar 443 ocorrências. Morreram 45 pessoas. Perto de 70 ficaram feridas. Passou um mês desde o 15 de outubro.

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      Uma caricatura do mundo em que vivemos.