João Fernando Ramos

De olhos na floresta

Aproveitei a Páscoa para vaguear com a família pela Serra da Lousã, percebendo claramente que já se fez muito trabalho para defender a floresta da ameaça dos fogos. Há mais zonas limpas, as linhas corta fogo estão tratadas, a estrada da serra parcialmente limpa e são visíveis equipas de sapadores a trabalhar numa boa parte daquelas matas. Ninguém pode garantir que o próximo verão não seja cheio de fogos, mas ninguém poderá perdoar que não se continue a dar passos sérios para reforçar substancialmente a prevenção, devolvendo vida às zonas do interior e investindo na economia destas regiões.

O inverno passou e o tema dos fogos esteve sempre presente. Mais que o debate político, aguardamos todos para ver como vão funcionar as muitas mudanças que nos têm anunciado.

Nesta passagem pela Lousã fica evidente uma maior atenção das populações e dos sapadores florestais. A ideia da limpeza está a ser bem mais que o simples ato de desmatar as envolventes de habitações e de vias de comunicação. Para muitos estes tempos têm significado um regresso à terra com uma preocupação real com a segurança das aldeias e das muitas casas isoladas em belos pedaços da nossa paisagem.

É verdade que esta operação tem um custo, muitas vezes demasiados custos, para quem tinha as terras e os pinhais abandonados há dezenas de anos, mas teremos todos que perceber que com as profundas mudanças no clima e a crescente desertificação do interior, só teremos futuro se esta atenção pela floresta e pelo interior não for apenas mais uma moda passageira.

Este é um país com tantos tiques irritantes de centralismo que rapidamente têm matado qualquer ideia que signifique abdicar de qualquer poder, mesmo que seja para colocar tudo a funcionar muito melhor. Forçosamente as coisas deverão agora ser diferentes, mas como diz o povo: nunca fiando.

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