Ricardo Alexandre

O `No Future` dos Conservadores britânicos

O `No Future` dos Conservadores britânicos

O age-gap das recentes eleições britânicas foi publicado pelo YouGov. Assim se vê como o eleitorado mais velho ainda vota mais, e vota essencialmente nos Conservadores. Assim se vê, igualmente, como estes fazem jus à canção dos Sex Pistols: "No Future".

A distribuição etária do voto britânico das eleições gerais do passado dia 8 revela que só a partir dos 44 anos é que as pessoas votam mais no Partido Conservador do que no Partido Trabalhista. Estamos sim a falar de uma sociedade envelhecida e é certo que as dinâmicas eleitorais, e muito menos as intenções de voto, são imutáveis. Mas é revelador de uma tendência claríssima de voto jovem nos Trabalhistas que adoptaram uma agenda claramente de esquerda.

Theresa insiste no Brexit duro. O tempo passa. Já é junho, senhora May. A imprensa conservadora, Daily Telegraph incluído, ajudam a PM a abrir os olhos e a optar por caminhos negociais que não retirem o Reino Unido do Mercado Único europeu. Mas ela quer parecer dama-de-ferro.

Macron abriu-lhe a porta para que pense bem no assunto Brexit. Aliás, a porta europeia vai ficar aberta para que os britânicos possam repensar. Entretanto, Jeremy Corbyn prepara o grupo parlamentar para novas eleições no país.

Foi recebido com uma ovação de 45 segundos por aqueles que tanto o criticavam na Câmara dos Comuns. Nada como um resultado acima das expetativas.

Entretanto, o líder Trabalhista anunciou 35 mil novas entradas no partido desde a semana passada e promete fazer campanha em 60 círculos eleitorais ganhos pelos Conservadores. Chamaram-lhe radical; hoje talvez o Partido Socialista Francês suspire por um Corbyn, idem aspas para o PSOE.

Costa foi mais esperto. Percebeu a tempo. Ao fazer pontes à esquerda, evitou a derrocada que atinge outros partidos socialistas europeus. A Terceira Via morreu. Giddens já não mora aqui.

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