Aldeia de Góis rodeada pelo fogo pouco depois de ser evacuada

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Fernanda treme, soluça `ais` quase silenciosos, junto à casa isolada, no limite da povoação de Sandinha, no concelho de Góis, ameaçada pelo fogo que sobe, violento, a encosta.

Daniel, irmão de Fernanda, o presidente e um funcionário da Junta de Freguesia de Góis, com um `pik-up` da autarquia, e dois outros homens fazem frente às chamas, com ramos de vegetação verde e uma mangueira abastecida por uma tomada de água.

"Não moro aqui, sou da [aldeia vizinha de] Cabreira, mas tenho aqui todas as minhas coisas, toda uma vida", diz à agência Lusa Fernanda, entre soluços e com evidente dificuldade em articular as palavras.

"Os meios aéreos não podem atuar", explica o presidente da Junta de Góis, Graciano Rodrigues, apontando para a nuvem de fumo negro que cobre o céu, deixa o ar quase irrespirável e faz parecer noite o princípio da tarde de hoje em Sandinha.

Além disso há várias torres de energia eólica e cabos de alta tensão naquele pedaço de densa mancha florestal, sobretudo de pinheiro, eucalipto e acácia.

Chegam à casa de Fernanda três autotanques dos bombeiros, oriundos de Alcoentre, de Alenquer e de Azambuja e a habitação é salva, mas o fogo rodeou-a até muito poucos metros de distância.

"Ela estava realmente muito nervosa, coitadinha, mas agora acalmou um bocadinho", constata Daniel, "aliviado pela casa e sobretudo por ela".

Mas o vento vira e, embora não muito forte, as chamas eclodem ali ao lado, e em poucos segundos, atravessam a estrada que "vem de Góis e segue [por Cabreira, Sandinha e Colmeal) para Fajão", no concelho de Arganil, e o fogo ameaça, pelas 15:00, agora também pelo lado sul da povoação.

Sandinha está vazia de gente (foi evacuada ao meio da manhã). Fernanda e o irmão também têm de deixar a aldeia, que, em condições normais, tem cerca de uma dezena de habitantes a tempo inteiro.

Só lá ficam os bombeiros que vieram da zona de Lisboa e o presidente e o funcionário da Junta de Góis.

Em Sandinha, só se ouve o crepitar da vegetação destruída pelas labaredas. A não ser no Largo de São Domingos, onde muitas dezenas de pássaros, refugiados num estendal de roupa e nos cabos elétricos e de telecomunicações que cruzam a praceta do centro da aldeia, chilreiam, desesperados.

A Cabreira, outra localidade evacuada durante a manhã, a cerca de dois quilómetros de distância de Sandinha, começam a chegar bombeiros de corporações da zona da Guarda. Procuram um acesso que lhes permita chegar à encosta que ladeia a povoação pelo sul, para tentarem travar o fogo que, vindo de Sandinha, não deve tardar a chegar.

 

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