Cancro. Tratamentos inovadores podem ser insustentáveis para sistemas de saúde

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A Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) promoveu, esta semana, uma sessão de esclarecimento e debate sobre os novos medicamentos inovadores para doenças hemato-oncológicas. O problema destes novos tratamentos a entrar no mercado português é o preço.

Considerando os preços cada vez mais elevados dos tratamentos inovadores que estão a ser desenvolvidos, em especial para casos de leucemia, a APCL diz que será difícil haver comparticipação e algum sistema nacional de saúde conseguir pagar, avança uma notícia da TSF.

De forma a informar e esclarecer doentes hemato-oncológicos, sobreviventes, familiares, cuidadores e profissionais de saúdes, sobre o acesso a estes medicamentos, o processo de desenvolvimento e possível aprovação em Portugal, e comparticipação, a APCL realizou esta segunda-feira uma sessão de esclarecimento e debate, aberta a “todos os interessados”.

Manuel Abecassis, presidente da associação e médico especialista em hematologia, explicou à TSF que não se trata de imunoterapias produzidas por fármacos “como medicamentos clássicos”, mas sim de tratamentos inovadores com células do sistema imunitário.

Este novos tratamentos, que estão a dar os primeiros passos em Portugal, são imunoterapias associadas às terapias celulares relacionadas com os linfócitos T do doente, trabalhadas em laboratório com vista ao combate das suas células leucémicas e cada injeção pode custar entre 300 a 500 mil euros.

Considerando que as imunoterapias com “medicamentos clássicos” podem custar cerca de 10 mil euros, o presidente da APCL diz que é “assustador uma injeção custar 300 a 500 mil euros”.

"Os preços que têm sido falados, genericamente, rondam verbas perfeitamente assustadoras - entre 300 a 500 mil euros por uma injeção -, o que tem levantado uma enorme preocupação das agências europeias reguladoras de medicamentos, pois não há nenhum serviço nacional de saúde que consiga suportar estas despesas", explicou.

Os especialistas, por exemplo, dos Estados Unidos da América, cujo sistema de saúde funciona à base de seguros, estão preocupados porque “até as companhias de seguros estão a encarar com muita cautela, pois sabem que se isto for largamente aplicado, não é suportável”.

É preciso chegar a um entendimento com a industria farmacêutica, diz o médico e diretor do Departamento de Hematologia do IPO de Lisboa.

"Estamos num ponto de viragem na oncologia hemato-oncológica (leucemias e linfomas), mas também vai chegar aos outros tipos de tumores em que será preciso encontrar um entendimento para tratar estes doentes sem levar à ruína o orçamento para a saúde de um país", explica.

A sessão de esclarecimento, que decorreu na sede da associação, teve como objetivo tranquilizar os doentes e as famílias que se tentam informar sobre terapêuticas inovadoras.

"Muitas vezes, as informações que saem nos jornais são muito preliminares e não correspondem à realidade verdadeira do interesse de um determinado medicamento", por isso a APCL considera importante explicar às pessoas o processo de acesso e aprovação oficial dos medicamentos inovadores.

A sessão gratuita e aberta ao público interessado foi realizada por Manuel Abecassis, por Fernando Leal da Costa (médico oncologista no IPO de Lisboa), e por Carlos Martins, médico especialista em hematologia.

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