Centro Hospitalar do Algarve só tem dois patologistas a tempo inteiro

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O Centro Hospitalar do Algarve tem apenas dois patologistas a tempo inteiro e um outro a meio tempo, todos médicos estrangeiros, tendo "uma brutalidade de exames" para fazer, alertou hoje a Ordem dos Médicos.

Ulisses Brito, representante da Ordem dos Médicos no Algarve, lembrou aos deputados da comissão parlamentar de Saúde que os serviços de saúde algarvios são "permanentemente deficitários em recursos humanos".

Exemplo disso é a anatomia patológica, que tem "dois médicos patologistas e meio" a trabalhar no Centro Hospitalar Universitário do Algarve, com "uma brutalidade de exames para fazer". Dois trabalham a tempo inteiro, e são oriundos de Espanha, e outro trabalha a meio tempo e é francês.

A falta de profissionais desta especialidade foi suscitada porque a comissão parlamentar de Saúde esteve hoje a ouvir a administração do hospital e a Ordem dos Médicos, a pedido do PSD, sobre o caso do atraso de um exame decisivo para um doente oncológico, um tipo de exame era efetuado no IPO de Lisboa.

Ulisses Brito frisou que a carência de recursos humanos é "transversal a vários governos" e que é "conhecida há muitos anos".

Considerando que a fusão dos hospitais e a criação do Centro Hospitalar do Algarve foi "um erro de conceção", o representante da Ordem também destacou a falta de investimento.

Por exemplo, a anatomia patológica do hospital de Faro trabalha em três contentores há cerca de 10 anos, havendo ainda investimento prometido pelo anterior ministro da Saúde do atual Governo, Adalberto Campos Fernandes, que não foi efetuado.

Sobre o caso do atraso no exame remetido ao IPO de Lisboa para ser realizado, de doente que acabou por morrer de cancro do pulmão, Ulisses Brito indicou ter-se tratado de uma questão administrativa do instituto de oncologia, que alterou um protocolo com uma empresa farmacêutica que custeava esses exames e passou a exigir um termo de responsabilidade.

Perante esta informação, o deputado do PSD Cristóvão Norte considerou que se trata de uma situação que pode ser "bem mais grave", porque poderá afetar muito mais doentes e até outros hospitais.

"Se o problema não reside em questões de natureza financeira do Centro Hospitalar do Algarve, e sim na circunstância de o IPO de Lisboa proceder a uma alteração de procedimento, será razoável presumir que não se trata de um único erro administrativo em relação a uma pessoa, mas pode aplicar-se a todas as instituições que se encontravam naquelas circunstâncias. É bem mais grave. O IPO e a ministra da Saúde terão de esclarecer esta circunstância", afirmou Cristóvão Norte, insistindo que não se terá tratado de um caso isolado.

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Cristóvão, Hospitalar Universitário Algarve,

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