Cerca de 80 habitantes de aldeias evacuadas acolhidos na Misericórdia

| País

Cerca de 80 habitantes de aldeias de Pedrógão Grande evacuadas devido às chamas foram acolhidos nas instalações da Santa Casa da Misericórdia, onde estão a ser alimentados.

"A missão principal da Santa Casa da Misericórdia é acudir aos necessitados e com esta catástrofe que aconteceu, infelizmente no nosso concelho, quisemos dizer presente", afirmou à agência Lusa o diretor, João Marques.

Segundo o responsável, apesar dos 83 utentes do lar e dos 32 utentes da Unidade de Cuidados Continuados, foi possível receber os habitantes das aldeias, a maioria idosos.

"Recebemos pessoas de aldeias que foram retiradas desde o final do dia de ontem (domingo). Tivemos que improvisar", contou.

A Unidade de Cuidados Continuados foi adaptada sobretudo "para aqueles que têm maior dependência", acrescentou.

"Penso que estamos a conseguir dar resposta a estas necessidades, mesmo também ao nível das refeições", afirmou.

João Marques disse que, no domingo à noite, "todos tiveram uma refeição quente" e que hoje de manhã foi dado um saco com fruta e sandes.

"Agora vão almoçar uma refeição quente e depois vão levar um saco com fruta, água e leite para casa", acrescentou, agradecendo às empresas e aos particulares que ofereceram alimentos à Misericórdia.

Muitos dos habitantes das aldeias tiveram de abandonar as casas à pressa, sem poderem ir buscar os medicamentos que têm de tomar diariamente.

"Além de termos identificado as pessoas, tivemos três enfermeiros a perguntar que tipo de medicamentos tomam e que doenças têm, para podermos dar resposta àquelas que não tiveram tempo de trazer os medicamentos para cá", explicou.

À hora de almoço, o responsável não tinha ainda indicação das autoridades de que os idosos poderiam regressar a casa.

"Quem trouxe as pessoas para aqui foram os bombeiros e a GNR e, até agora, não temos ordem para as deixar sair, mas também não as podemos impedir. Estamos a aguardar que a GNR e os bombeiros decidam", referiu.

O fogo, que deflagrou na tarde de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.

O último balanço dá conta de 62 mortos civis e 62 feridos, dois deles em estado grave. Entre os operacionais, registam-se dez feridos, quatro em estado grave. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

O Governo decretou três dias de luto nacional, até terça-feira.

Tópicos:

Figueiró Vinhos Castanheira, Misericórdia Pedrógão,

A informação mais vista

+ Em Foco

Os dados do sistema de Informação de Fogos Florestais da União Europeia (EFFIS) indicam que só entre os dias 14 e 15 de outubro arderam em Portugal continental cerca de 200 mil hectares.

    Na primeira entrevista pós-autárquicas, à Antena 1, Jerónimo de Sousa não poupou nas palavras. Afirmou que o "Governo ficou mal na fotografia e subestimou a situação" dos fogos.

    Impostos, orçamentos, metas para o próximo ano. A RTP descodifica a proposta de Orçamento do Estado apresentada pelo ministro das Finanças esta sexta-feira.

      Acionar o artigo 155 da Constituição espanhola representa um momento único na História de Espanha. O Governo de Madrid já definiu os setores que quer controlar de imediato.