Combustível. Quercus quer que exemplo do Aeroporto do Porto seja replicado em Lisboa

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A associação ambiental Quercus defendeu hoje que o modelo de abastecimento de combustível do Aeroporto do Porto deve ser replicado no de Lisboa, uma vez que construção de um "pipeline" permitiria reduzir os impactos ambientais.

Aproveitando a situação de crise nos combustíveis e "tendo em conta a realidade do exemplo do `pipeline` no Porto, a Quercus considera que a construção do `pipeline` para abastecimento a aeroporto da Portela tem vantagens significativas comparativamente ao atual sistema de transporte rodoviário", afirma-se em comunicado.

De acordo com a associação ambientalista, a greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, revelou as fragilidades do sistema de abastecimento em Lisboa que, consideram, deve ser repensado.

Atualmente o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, é abastecido por "pipeline" diretamente da Refinaria de Leça da Palmeira, em Matosinhos, o que, segundo a associação, permitiu reduzir de forma "significativa o trânsito de pesados nos concelhos envolventes".

Em declarações à Lusa, o ex-presidente e atual tesoureiro da Quercus, João Branco, explica que o atual modelo de abastecimento representa não só um risco de segurança para pessoas e bens, como tem elevados impactos ambientais.

"Em Lisboa, o transporte é feito por via rodoviária. Por exemplo, ontem [terça-feira] saíram sete camiões que, no máximo, daria para abastecer três aviões, ora no Aeroporto de Lisboa saem centenas de aviões por dia, portanto, são necessárias centenas, se não milhares, de camiões", observou.

Segundo o dirigente, para além dos impactos ambientais causados pela emissão de CO2 em larga escala provocada pela queima de gasóleo no movimento dos camiões, há ainda que considerar os efeitos da libertação de vapores de "jet fuel" de cada vez que se procede ao enchimento dos camiões cisterna que o transportam.

Segundo a Quercus, atualmente o combustível utilizado no abastecimento das aeronaves no aeroporto de Lisboa é proveniente de Sines e transportado por "pipeline" de Sines até às instalações da empresa CLC - Companhia Logística de Combustíveis, S.A. situada em Aveiras.

Este combustível é depois transportado pela via rodoviária, numa distância de cerca de 50 km, utilizando viaturas pesadas de transporte de substâncias perigosas, de Aveiras até ao Aeroporto Humberto Delgado.

"Acho que é de aproveitar a greve motoristas de matérias perigosas para discutir esta solução. O modelo do "pipeline" é uma solução que evita a maior parte destes problemas. Há menos libertação de dióxido de carbono, menos circulação de camiões, menos libertação de vapores de combustíveis, e há mais segurança na via pública", defendeu João Branco que sublinhou ainda que não pode ser ignorado "o risco de acidente grave sempre que se transportam substâncias desta natureza".

Neste sentido, a associação solicita "ao governo que se debruce sobre este problema de modo a favorecer uma solução mais amiga do ambiente e com menos riscos para pessoas e bens".

A greve dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica.

Na segunda-feira, gerou-se a corrida aos postos de abastecimento de combustíveis, provocando o caos nas vias de trânsito.

A Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) informou hoje que não foi ainda retomado o abastecimento dos postos de combustível, apesar da requisição civil, e que já há marcas "praticamente" com a rede esgotada.

O primeiro-ministro admitiu hoje alargar os serviços mínimos e adiantou que o abastecimento de combustível está "inteiramente assegurado" para aeroportos, forças de segurança e emergência.

VSYM (DF) // MSP

Lusa/Fim

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