Enfermeiros em quarentena vão receber parte dos vencimentos em atraso

por RTP
António Pedro Santos - Lusa

A Ordem dos Enfermeiros denunciou este sábado a situação de vários profissionais, infetados no local de trabalho pelo novo coronavírus, que "sofreram cortes significativos no vencimento" ou ficaram mesmo sem o ordenado. A ministra da Saúde garantiu, entretanto, que estas situações já foram corrigidas institucionalmente.

Na conferência de imprensa Marta Temido assumiu que se verificaram "atrasos na entrega de alguns formulários necessários para que os processamentos remuneratórios fossem feitos em algumas instituições", mas que "essas situações já foram corrigidas institucionalmente".

Os vencimentos em falta vão ser pagos na próxima semana aos enfermeiros que contraíram a Covid-19 em contexto profissional e tiveram de ficar em quarentena. Mas a Ordem dos Enfermeiros está ainda a tentar que o pagamento seja feito a 100 por cento, embora pelo menos 70 por cento esteja assegurado para os casos concretos que foram denunciados.
O Ministério da Saúde garante que vai continuar atento "à evolução daquilo que possam ser situações especialmente gravosas" para os profissionais de saúde.

Marta Temido sublinhou ainda que vai "trabalhar com as estruturas representativas dos trabalhadores e com associações públicas profissionais no sentido de garantir que em termos laborais e deontológicos estão criadas as melhores condições para um funcionamento harmonioso".

O Sindicato dos Enfermeiros também acusou o Estado de não cumprir com o que está legislado em relação aos horários de trabalho, ao pagamento de trabalho suplementar e ao Regime de Prevenção e disponibilidade permanente daqueles profissionais de saúde.

Segundo o sindicato, verifica-se ainda o incumprimento dos períodos de descanso, o impedimento do gozo de feriados/tolerâncias em algumas instituições, tal como o gozo de férias previstas. Esta entidade sindical já anunciou que vai apresentar uma queixa à Organização Internacional do Trabalho (OIT).


c/ Lusa
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