Falta de apoio para as segundas habitações preocupa Câmaras

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As Câmaras de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, um ano após os incêndios de Junho de 2017, têm uma preocupação em comum: a falta de ajudas para a recuperação das segundas habitações afetadas.

Um ano após os incêndios que mataram 66 pessoas e provocaram 250 feridos, além de incalculáveis prejuízos em empresas e floresta, os autarcas, Valdemar Alves, Jorge Abreu e Alda Carvalho, presidentes das Câmaras de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, respetivamente, fizeram à agência Lusa um balanço e em quase tudo se mostram de acordo.

Os três concordam que os apoios disponibilizados pelo Estado foram os possíveis e realçam o papel que a Unidade de Missão para a Valorização do Interior (UMVI) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) tiveram em todo o processo de recuperação dos concelhos.

Já quanto à recuperação das primeiras habitações, Valdemar Alves diz que, para ele, "todas as casas são primeiras habitações", enquanto Jorge Abreu e Alda Carvalho preferem realçar a importância que os proprietários das segundas habitações têm nas economias locais, sendo que todos ainda esperam que haja algum tipo de ajuda para estas situações.

A presidente de Castanheira de Pera, que na altura dos fogos não era ainda líder do concelho, defende também que ao nível da limpeza da floresta as autarquias deviam ter uma linha de apoio financeiro para aquisição de equipamentos.

"Os municípios deveriam ter uma linha que lhes permitisse, inclusivamente, comprar equipamentos para poderem os próprios fazer face aos encargos financeiros que vão ter. Em municípios desta dimensão, vamos ter aqui alguns problemas financeiros, mas estamos de corpo e alma para os resolver e para os ultrapassar", concluiu.

O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos afirma também que o Governo fez o que nunca tinha sido feito ao nível dos apoios, mas adianta que isso só aconteceu porque houve um abandono do Interior.

"Nos apoios estatais, nós temos que ser realistas. O Governo fez aquilo que nunca foi feito. Ou seja, houve apoio que nunca tinha havido. Mas, também temos que considerar que acontece porque houve o abandono do Interior por parte dos governos ao longo dos anos", disse Jorge Abreu.

O autarca entende que, após a tragédia dos incêndios de 2017, o Interior foi colocado "em cima da mesa".

Já Valdemar Alves, de Pedrógão Grande, considera-se satisfeito pelos apoios estatais recebidos e realça que é preciso ter consciência da potencialidade económica do país.

"Para a tragédia que aconteceu, que não foi fácil e não é fácil para nenhum Governo, nem para os Estados Unidos, nem para aqueles que têm muito dinheiro. Mas nós o que temos, o mais importante de tudo, uma riqueza dos portugueses, são os afetos que temos, uns com os outros. O dinheiro não é tudo, foi para as partes essenciais, e as coisas estão efetivamente a correr", sustentou.

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