Fogo destrui seis mil hectares em Cantanhede sem danos pessoais

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O incêndio florestal que eclodiu domingo na Figueira da Foz e se estendeu a Cantanhede, no distrito de Coimbra, queimou seis mil hectares de floresta, mas não provocou danos pessoais, disse a presidente da Câmara.

"Não termos tido vidas em perigo foi o nosso grande conforto. Temi muito pior, mas felizmente não aconteceu nenhuma desgraça", disse hoje à agência Lusa Helena Teodósio, presidente da Câmara de Cantanhede.

A autarca, que no domingo esteve várias horas na praia da Tocha, povoação que ficou isolada pelas chamas, assinalou ainda a preocupação com o parque de campismo local (que foi evacuado) e uma urbanização adjacente com casas revestidas a madeira, salvos por ação de bombeiros, populares e dos serviços camarários.

Outra preocupação centrou-se na zona industrial da Tocha, "onde os bombeiros não conseguiram chegar", concretamente devido a um depósito de gás de grandes dimensões ali existente, que acabou por não ser atingido pelo incêndio.

No entanto, na mesma zona industrial, a Sanindusa, empresa de artigos sanitários, foi destruída pelas chamas, mas a autarca garante que vai ser reconstruída e que os 140 postos de trabalho "estão salvaguardados".

"Já estão a fazer limpezas para reconstruir a fábrica que é uma das indústrias de referência do concelho, muito dedicada à exportação. Vão investir entre 20 a 25 milhões de euros", indicou a autarca.

O levantamento financeiro de prejuízos provocados pelo incêndio de Cantanhede ainda decorre, nomeadamente os sofridos por particulares, que estão a ser acompanhados pelos serviços de três juntas de freguesia (Tocha, São Caetano e Corticeiro) e os prejuízos restantes estão a cargo de uma equipa camarária que está a utilizar "o mesmo método utilizado nos incêndios de Pedrógão Grande", nas áreas empresarial, agrícola e florestal e bens e equipamentos públicos e particulares.

No entanto, para além da destruição da empresa de artigos sanitários, Helena Teodósio avançou que foram atingidas pelas chamas três ordenhas/vacarias localizadas na Tocha, uma oficina de pintura de automóveis na localidade de Caniceira, "algumas casas de primeira habitação e muitos anexos e barracões agrícolas".

Também alguns pavilhões "antigos, não ocupados" do hospital Rovisco Pais foram danificados, acrescentou.

A autarca enalteceu o trabalho dos bombeiros voluntários de Cantanhede "que atuaram praticamente sozinhos" no combate às chamas (com o apoio de pelo menos uma viatura dos Voluntários da Figueira da Foz), mas também de várias pessoas "com cisternas, tratores e enxadas que arregaçaram as mangas e ajudaram a defender as casas", frisou.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 42 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

O Governo decretou três dias de luto nacional, entre terça-feira e quinta-feira.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

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