Fogo levou famílias quase inteiras, Santa Casa dá apoio psicológico

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O incêndio que está a assolar o concelho de Pedrógão Grande, Leiria, fez desaparecer famílias quase inteiras e os que ficaram estão a receber apoio psicológico na Santa Casa da Misericórdia, que acolheu também quem ficou desalojado.

"Temos tido o apoio dos técnicos da Segurança Social, da Cruz Vermelha Portuguesa, da Polícia Marítima, principalmente ao nível de assistentes sociais e de psicólogos, que estão a acompanhar essas famílias enlutadas que estão em grande sofrimento, que perderam familiares próximos: filhos, pais, há casos em que as famílias quase todas desapareceram", relatou o provedor da Misericórdia de Pedrógão Grande à agência Lusa.

Para João Marques, este apoio psicológico, agora prestado, será necessário no futuro.

"Há pessoas que vão precisar de apoio durante muito tempo. Diria que é inevitável não ficarem com sequelas. As consequências vão existir sempre, o que nós pretendemos com este apoio é minimizá-las o mais possível", sublinhou João Marques.

Entre domingo e hoje, a Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande (SCMPG) recebeu também habitantes de aldeias ameaçadas pelos incêndios, que ficaram desalojados ou que tiveram de sair de casa por precaução.

"A Santa Casa da Misericórdia disponibilizou as instalações para apoiar as famílias desalojadas, cujas casas arderam. Felizmente não foi necessário nessa área, porque a maior parte foi acolhida por familiares, mas temos recebido populações que foram evacuadas de aldeias que corriam perigo, principalmente ontem à noite [domingo]", disse o provedor à agência Lusa.

João Marques explicou que, desde a noite de domingo, "deram entrada mais de 170 pessoas", a quem foi disponibilizado alojamento e fornecida alimentação, tendo alguns desses habitantes sido depois encaminhados para o pavilhão gimnodesportivo local que tinha na tarde de hoje cerca de 70 camas montadas para receber bombeiros e civis.

O provedor acrescentou que as pessoas que tiveram de ser retiradas de suas casas devido à ameaça do fogo, foram entretanto regressando "porque as aldeias destas populações não tiveram consequências de maior".

Enquanto decorria a entrevista, foram várias as viaturas de cariz social que chegaram à Misericórdia de Pedrógão Grande com ajuda, nomeadamente alimentos.

A onda de solidariedade "comoveu e emocionou" o provedor da SCMPG, que admitiu ter ficado surpreendido pelo "volume das ofertas" entregue.

"Já conheço bem o povo português, que é generoso. Surpreendeu-me, se calhar, o volume da oferta que foi extraordinário. As pessoas que continuem a contribuir, mas mais espaçadamente, pois o problema vai continuar e vamos continuar a ter essa necessidade", advertiu João Marques.

O último balanço do incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande dá conta de 63 mortos civis e 135 feridos, entre os quais 121 civis, 13 bombeiros e um militar da GNR. Dos 135 feridos, sete estão em estado grave: cinco bombeiros voluntários e dois civis. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

Além de Pedrógão Grande, existem quatro grandes fogos a lavrar nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, mobilizando um total de cerca de 2.150 operacionais, 654 veículos e 16 meios aéreos.

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