Greve dos professores deixa milhares de alunos sem aulas

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Os professores realizam esta quarta-feira uma greve geral e uma concentração em São Bento, frente ao Parlamento, enquanto é debatida, na especialidade, a proposta de Orçamento do Estado para 2018. Os docentes exigem a contagem do tempo de serviço. O protesto foi marcado pela FENPROF, FNE e Frente Sindical dos Docentes. Quinta-feira os sindicatos retomam as negociações com o Governo.

A proposta de Orçamento do Estado não prevê a contabilização do trabalho realizado entre 31 de agosto de 2005 e 31 de dezembro de 2007, nem entre janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2018.

O Governo promete que o tempo de serviço dos professores vai ser contado, mas de forma faseada. O anúncio foi feito pela secretária de Estado adjunta e da Educação, num debate parlamentar esta manhã.


Alexandra Leitão anunciou também que a medida vai ser agora negociada com os sindicatos.

Ontem ao final do dia, o primeiro-ministro garantia que as carreiras dos professores vão ser descongeladas a partir de 1 de janeiro.

“Os professores não ficam de fora do processo de descongelamento das carreiras, como nenhuma carreira da Função Pública está fora do processo de descongelamento das carreiras. E relativamente aos professores, foram objeto de uma medida que eu compreendo que os revolte, que considerem injusta, que foi há vários anos atrás ter sido parado o cronómetro que contava o tempo da sua carreira para efeitos de progressão”, afirmou António Costa.


Segundo o primeiro-ministro, “aquilo que este Orçamento do Estado faz, não é parar o cronómetro, é por de novo o cronómetro a funcionar”.

“Nós não estamos a congelar, estamos a descongelar. Nós não estamos a cortar, estamos a repor aos professores e a todos os quadros da Administração Pública o direito a progredir na sua carreira”, realçou.

O primeiro-ministro frisou que repor de imediato todas as progressões iria custar ao Estado 650 milhões de euros e que o país não atualmente capacidade financeira para isso.

“Se fosse imediatamente reposto todo esse tempo que o cronómetro não esteve a contar, tinha um impacto orçamental de 650 milhões de euros imediatamente. Toda a gente reconhece, os sindicatos foram os primeiros a reconhecer, que não há condições financeiras para que isto seja possível”, sublinhou.


António Costa considera que “o impacto financeiro é gigantesco. E mesmo diluindo no tempo, como propõem agora os sindicatos e nós vamos continuar a trabalhar nisso, é muito difícil encontrar uma solução que seja financeiramente sustentável “.
"Greve histórica"
Num primeiro balanço, a Federação Nacional dos Professores (FENPROF) afirma que a adesão à paralisação deve rondar os 90 por cento e que está deve ser uma das maiores greves de sempre dos professores.

Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF afirma que se “está a viver uma greve histórica”.


“É uma luta fortíssima dos professores. Os dados que até agora chegaram apontam para adesões na ordem dos 90 por cento. Embora ainda seja cedo para termos uma visão global. Para já parece-nos que esta é uma das maiores greves de sempre dos professores”, avançou Mário Nogueira à Antena1.

Mário Nogueira acusa o Governo de só querer retomar as negociações por causa da paralisação e afirma que a greve de hoje é determinante.

“De 12 de outubro a 14 de novembro nunca foi possível marcar este processo negocial. Foi marcada esta reunião para a tarde da véspera da greve, que foi marcada a 3 de novembro, (…) mesmo a partir daí manifestámos toda a disponibilidade no sentido de nos reunirmos. E ontem a reunião não pode chegar ao fim, porque não havia tempo e foi transferida para quinta-feira”, esclareceu Mário Nogueira no programa Bom Dia Portugal na RTP.

Apesar da afirmação do primeiro-ministro de que o país não tem capacidade financeira para repor de imediato todas as progressões de carreira, a FENPROF defende que seja contado todo o tempo de serviço, mesmo que de forma faseada.

“Claro que o senhor primeiro-ministro fala nos 600 ou 650 milhões que seria a progressão com a recuperação total, para toda a gente, dos nove anos neste momento. Claro, nós poderíamos contrapor os oito mil milhões de euros que os professores perderam neste tempo todo, mas não contrapomos”, afirmou.

“Dizemos apenas que nós não estamos a exigir que assim seja. Nós estamos a exigir que o tempo que as pessoas cumpriram e em que trabalharam lhes seja considerado”, acrescentou.

Segundo Mário Nogueira, os professores vão “negociar e encontrar uma forma de faseadamente se conseguir recuperar o tempo”.

“Agora apagar aquilo que as pessoas fizeram, isso não é justo”.

Também a Federação Nacional de Educação (FNE) defende que os professores devem ser recolocados onde merecem, depois do descongelamento das carreiras. João Dias da Silva defende que o processo deve ser faseado mas que não se pode eternizar.

“O que está em cima da mesa é a verificação de que há tempo que esteve congelado. Que nós pretendemos que seja reconvertido para permitir que as pessoas sejam reposicionadas em carreira, tendo em conta esse tempo que no passado esteve congelado”, afirmou João Dias da Silva, secretário-geral da FNE, à RTP.

Segundo o dirigente sindical, “não há acordo sequer sobre a quantidade de tempo que o Governo considera que esteve congelado. E como ainda temos por resolver a questão de como é que vais ser feito esse faseamento”.

“Esta greve tem de ser o sinal que os professores dão de que o Governo tem de respeitar o tempo que esteve congelado. E que esse impacto na carreira dos professores tem de ser utilizada em tempo útil”, acrescentou.


João Dias da Silva frisa que não se “pode transferir a contagem deste tempo e a sua contabilização para efeitos de reposicionamento em carreira, para daqui a 10 ou 20 anos”.

Também a Frente Sindical de Docentes, que reúne oito sindicatos que representam professores de todo o país, garantiu que não abre mão da contagem de tempo na totalidade.

“Vamos tentar recuperar todo o tempo de serviço. Nós apelamos a todos os docentes para que seja um dia muito grande de greve”, afirmou Manuel Monteiro na RTP.


Segundo o dirigente sindical a carreira dos professores “está estruturada, se nós não conseguirmos recuperar todo o tempo de serviço, quer dizer que passamos a ter a nossa carreira destruída. Totalmente”.

A progressão na carreira dos professores está interrompida há 10 anos. Amanhã sindicatos e Governo voltam à mesa de negociações.

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FENPROF, FNE, Frente Nacional de Docentes, João Dias da Silva, Manuel Monteiro, Mário Nogueira, adesão. António Costa, escolas, professores, Greve,

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