Greve no setor ferroviário. Comboios parados

| País

Comboios parados ao longo do dia
|

Esta manhã não houve comboios de longo curso a circular, e praticamente nenhuma ligação regional foi realizada. Só os comboios urbanos de Lisboa e Porto vão circulando.

Em todo o país, desde a meia noite às 10 da manhã, realizaram-se apenas 162 ligações ferroviárias, das 451 previstas para todo o país, de acordo com o último balanço da CP.

Em Lisboa, circularam 45% dos comboios urbanos. No Porto, esse valor subiu para os 61%. Entre os comboios regionais, houve apenas sete comboios a circular.

As ligações com destino a Sintra, Cascais e Setúbal estão a fazer-se a 100%, apesar da greve de 24 horas no setor ferroviário, segundo a Infraestruturas de Portugal (IP), que adiantou estarem assegurados os comboios de mercadorias.

Em comunicado, a IP adianta que "relativamente aos comboios urbanos de Lisboa, estão a ser asseguradas 100% das circulações para as ligações com destino a Sintra, Meleças, Castanheira e Cascais, assim como entre o Barreiro e Praias do Sado".

"Estão também asseguradas a 100%, as circulações das ligações a Setúbal e Coina e garantidas cerca de 25% das ligações de Sintra com destino Alverca e Oriente", é referido.

Na nota, a IP indica também que no Porto estão ser garantidos todos os comboios urbanos com destino a Braga, Guimarães, Penafiel e Caíde.

Estão também garantidas, segundo a IP, todos os comboios de mercadorias incluídos nos serviços mínimos de segurança.
Greve sem serviços mínimos, com exigências de negociação
A paralisação de 24 horas dos trabalhadores ferroviários, que começou às 00h00 de hoje, vai afetar toda a circulação de comboios no país. Não há serviços mínimos ou transportes alternativos.

Em tribunal arbitral nomeado pelo Conselho Económico e Social (CES) foi decidido que não haveria serviços mínimos, além dos definidos por lei. Ou seja, circulam até ao seu destino os comboios em marcha à hora do início da greve, os comboios socorro e os de transporte de mercadorias perigosas.

Uma decisão que surpreendeu o Governo, que garante que os cidadãos têm direito ao transporte público e que esta necessidade é especialmente sensível em grandes áreas urbanas.

Os trabalhadores da CP-Comboios de Portugal, Infraestruturas de Portugal (IP) e Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) avançaram para esta greve para exigirem a aplicação dos acordos assinados com o Governo e administrações das empresas.

"Esta é uma luta de todos a partir de processos distintos que estão perante o mesmo bloqueio do Governo e o que se exige é que haja negociação séria e construtiva", argumenta a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS).

Ainda na quarta-feira o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, manifestava a disponibilidade do Governo para negociar com os ferroviários, criticando a paralisação. "Isso faz muito pouco sentido, uma vez que estamos a meio de processos negociais, quer na CP, quer na IP e, em particular na IP, onde os sindicatos também decidiriam decretar esta greve, temos aliás os processos negociais bastante avançados".
 
O ministro admitiu no entanto que os processos negociais estão "numa fase difícil, de revisão dos acordos de empresa". Mas recusou a ideia de que o Governo não está disponível para negociar. "Antes pelo contrário", disse. Uma disponibilidade que Pedro Marques reiterou esta quinta-feira, depois do Conselho de Ministros.

José Manuel Oliveira, da FECTRANS desmente o ministro e garante que a “única empresa em que tem havido alguma negociação é na IP (Infraestruturas de Portugal)”, mas argumenta que “tudo está a ser controlado ao cêntimo”, impedindo avanços.
José Manuel Oliveira, dirigente da FECTRANS

José Manuel Oliveira admite os incómodos para os utentes em dia de greve, mas alerta que as supressões não se resumem aos dias de protesto. “Estão a ser prejudicados todos os dias. Todos os dias há supressão de comboios”, garantiu à RTP, apontando o dedo à degradação do equipamento.

O dirigente da FECTRANS argumenta que a greve serve também para “alertar o governo para este passar a medidas concretas para que este processo de degradação a que temos assistido há muitos anos seja revertido”, garantindo que é necessário investir para resolver problemas diários e isso não pode ser feito daqui a cinco ou seis anos.


Também a Fertagus, que opera o comboio na ponte 25 de Abril, alertou que devido à greve na empresa gestora de infraestrutura ferroviária (IP) e, sem definição de serviços mínimos, "encontram-se previstas perturbações na circulação de comboios entre as 00:00 e as 24:00 do dia 07 de dezembro de 2018".

Tópicos:

greve, comboios,

A informação mais vista

+ Em Foco

A primeira-ministro britânica descarta um segundo referendo, por considerar que não vai solucionar a encruzilhada que o Reino Unido enfrenta.

Xi Jinping passou dois dias em Lisboa, na primeira visita de Estado a Portugal desde que é Presidente da República Popular da China. Foram assinados vários acordos bilaterais.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      O processo de degelo na Gronelândia acelerou substancialmente nas últimas décadas. Os investigadores alertam para o perigo da subida do nível da água do mar.