Gripe. País chega a fase epidémica com falhas apontadas à SNS 24

por RTP
Na RTP, a diretora-geral da Saúde aconselhou os doentes a primeiro telefonarem para a Linha SNS 24 Paulo Whitaker - Reuters

O bastonário da Ordem dos Médicos considera que a campanha de sensibilização para a gripe chega tarde e aponta falhas à linha SNS 24 que boicotam o sistema. No último fim de semana, houve doentes que ficaram longas horas à espera de atendimento em unidades hospitalares. Os maiores problemas ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Na região norte, as principais queixas visam o facto de serem poucos os centros de saúde com horários de atendimento alargados, bem como a falta de informação.

“Devíamos começar a fazer uma campanha mais forte relativamente ao que as pessoas deviam fazer mais cedo”, defendeu o bastonário da Ordem dos Médicos no Jornal 2.

“Também é verdade que a Linha 24 funciona mas tem falhas, que às vezes não são aceitáveis. Muitas vezes, é a própria Linha de Saúde 24 que encaminha doentes para o serviço de urgência, que não precisariam de ir à urgência”, criticou Miguel Guimarães na noite de domingo.

Na RTP, a diretora-geral da Saúde aconselhou, por sua vez, os doentes a primeiro telefonarem para a Linha SNS 24, de modo a saberem qual o centro de saúde mais próximo da área de residência.

Graça Freitas garantiu que a noite passada foi mais calma nos serviços de urgência dos hospitais e que os tempos de espera diminuíram. "Neste momento está tudo dentro da normalidade", disse Graça Freitas, acrescentando que existe informação e monitorização da procura dos cuidados de saúde.

No Bom Dia Portugal, a diretora-geral da Saúde sublinhou que foi feito um reforço de 1700 camas para este período, assinalando que o plano de contingência de inverno está ativado desde outubro.

Graça Freitas nota que a ativação dos planos de contingência para os centros de saúde cabe às administrações regionais, que terão em conta “a avaliação do risco” e “as necessidades que têm”.

Por seu lado, a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo garante que os planos de contingência vão ser ajustados esta semana, o que inclui a contratação de mais profissionais que devem entrar ao serviço já esta semana.

"Na região temos centros de saúde abertos, ao sábado e ao domingo, em toda a região. No próximo fim-de-semana vamos ter mais locais abertos com horários reforçados. Por isso, o nosso pedido à população é que antes de ir aos hospitais recorra aos meios que estão à sua disposição", disse a vice-presidente da ARS, Laura Silva.
Urgência, o último recurso
Como o inverno é o "período do ano de maior atividade para desenvolver fatores de risco" da gripe, devido ao frio e por outros vírus, Graça Freitas sublinha que a primeira coisa a fazer é a prevenção, através da proteção do frio.

Como primeira opção sugere o telefonema para a Linha de Saúde 24, através do número 808 24 24 24. Depois, aconselha a ida aos centros de saúde. O recurso às urgências dos hospitais é o último recurso.

No entanto, esta será uma semana atípica devido ao estimado aumento de afluência por causa da gripe. O pico da gripe está previsto para o próximo fim de semana. São esperadas 130 mil idas às urgências esta semana, quando a média é inferior a 100 mil por semana.
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