Mação insatisfeita com relatório da Proteção Civil apresenta queixa à Inspeção-Geral da Administração Interna

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A Câmara de Mação decidiu avançar com uma participação à Inspeção-Geral de Administração Interna. A ação da autarquia surge depois de a Proteção Civil ter divulgado o relatório sobre o combate ao grande incêndio de julho, um documento classificado de “insatisfatório” pela autarquia de Mação. A ANPC tinha justificado as dificuldades no combate às chamas pela dispersão de meios por diferentes ocorrências e pela meteorologia “extremamente agressiva”.

Para o presidente da autarquia, o relatório “é muito pouco minucioso” e “claramente insatisfatório”. “Não dá conta das decisões que foram tomadas, quem tomou as decisões, que justificação é que tiveram para as mesmas acontecerem, não tem a fita do tempo pormenorizada conforme devia ter”, justificou em declarações à TSF.

Para Vasco Estrela, - eleito e candidato às autárquicas pelas listas do PSD – “há um conjunto de explicações que têm de ser dadas por quem de direito”, nomeadamente pelo comandante da Autoridade Nacional de Proteção Civil.


As críticas da autarquia de Mação à ação da Proteção Civil tinham começado ainda durante o incêndio que lavrou naquele concelho entre os dias 23 e 27 de julho. O fogo consumiu cerca de 18 mil hectares, tendo destruído total ou parcialmente 14 casas de primeira habitação. Trinta aldeias foram evacuadas, inúmeros palheiros, viaturas e barracões foram destruídos. Na sequência deste fogo, o presidente da autarquia tinha exigido acesso ao relatório da Proteção Civil, o que lhe foi agora condedido.

No relatório à ação das autoridades no combate, a Proteção Civil justifica as dificuldades com a dispersão de meios por outras ocorrências na região. O documento indica que, para além do fogo de Mação, foram registadas 108 fogos, dos quais 17 foram registados no distrito de Castelo Branco e adjacentes.

“Deste facto, resulta pelas necessidades de resposta operacional uma dificuldade maior no reforço das operações de combate por parte daqueles que se encontravam mais próximo do local, levando por isso a consequente dispersão de meios de socorro”, refere o relatório a que a agência Lusa teve acesso.

A Proteção Civil justifica ainda as dificuldades com um quadro meteorológico “extremamente agressivo para o combate ao incêndio”. O fogo teve, desde o princípio, uma propagação “muito elevada, com desenvolvimento de grande intensidade das frentes de incêndio, potenciado pelo vento forte e pelo tipo de combustíveis existentes”.
"Muito incompleto, pouco detalhado"
Para o presidente da câmara de Mação, o relatório “é um conjunto muito incompleto, pouco detalhado, sem referência a quem tomou as decisões em cada momento relativamente às movimentações operacionais no terreno”.

“Não podem arder 18 mil hectares sem que sejam apuradas todas as responsabilidades e este relatório não satisfaz, não indica quem tomou determinadas decisões sobre uma cada vez mais evidente retirada de meios de Mação, sobre quem os posicionou e porque motivos”, justifica Vasco Estrela à Lusa.

Perante esta avaliação ao relatório, a assembleia municipal de Mação decidiu avançar com uma participação à Inspeção-Geral da Administração Interna para que que seja “uma entidade independente a explicar tudo o que se passou”.

O relatório da Proteção Civil destaca ainda que “a coordenação política e institucional terá sido feita caso a caso pelo presidente da Câmara Municipal de Mação, dado que o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil, por não existir, não podia ser ativado”.

A esse respeito, Vasco Estrela justifica que o Plano Municipal de Emergência de Proteção existe mas que não está atualizado. Alega que “no incêndio o mesmo nunca foi pedido ao município e “tudo funcionou sem ele”.

c/ Lusa

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