Maioria de independentes e PS aprova sete vereadores a tempo inteiro no Porto

Maioria de independentes e PS aprova sete vereadores a tempo inteiro no Porto

Porto, 28 out (Lusa) -- A maioria composta por seis eleitos do independente Rui Moreira e por três do PS aprovou hoje a fixação de sete vereadores a tempo inteiro na Câmara do Porto.

Lusa /

Rui Moreira ganhou as eleições sem maioria absoluta, elegendo seis vereadores, e assinou com o PS um acordo de governabilidade que passa pela atribuição de "pelouros a vereadores eleitos pelo PS", representados na autarquia por três eleitos.

Sem especificar a distribuição de pelouros, que deverá ser conhecida esta tarde, a proposta em causa não agradou aos três eleitos do PSD, tendo o social-democrata Amorim Pereira considerado "chocante" o "processo que conduziu" à fixação de sete vereadores executivos.

O vereador do PSD criticou Manuel Pizarro e o próprio presidente da Câmara, "não tanto por ter havido acordo", mas pelo facto de o socialista "ter dito que iria ser oposição" e também por "não ter havido a mínima preocupação de conversações com os vereadores do PSD".

"Nunca acreditei no argumento de que não queria reproduzir aquilo que o PSD representava. Fica a opinião pública, o substrato do ódio durante a campanha eleitoral que se apoderou de uma certa fação que apoiava o senhor presidente, que leva o presidente a que não tenha sequer tentado fazer uma aproximação ao PSD", disse.

Para Amorim Pereira, fica "a ideia de que houve aqui qualquer torcer da realidade política e do substrato da ideologia em nome não se sabe de quê".

Lembrando o músico que morreu o domingo, Lou Reed, o social-democrata disse que "todos optaram por fazer `a walk on the wild side`".

O autarca criticou ainda que, "no momento que o país atravessa e estando ainda tão presentes a adoração que se fez na campanha pelas contas certas", Rui Moreira tenha decidido ter sete vereadores com pelouro, "mais três dos que a lei permite".

Esta decisão poderá levar a pensar-se em "mais tachos e mais automóveis", disse, propondo que a Câmara do Porto desse o "exemplo de contenção" e tivesse o número de vereadores fixado na lei como indicativo.

Ao lado dos vereadores do PSD, que se abstiveram na votação desta proposta, esteve também o eleito da CDU, Pedro Carvalho, que lamentou, no entanto, não conhecer a macroestrutura da Câmara antes de se decidir fixar o número de vereadores a tempo inteiro ou meio tempo.

Afirmando que a Câmara do Porto "tem que ter o número necessário de vereadores para gerir a sua macroestrutura, sendo quatro manifestamente insuficientes", Pedro Carvalho gostava de saber a distribuição de pelouros antes da fixação deste número de executivos.

Rui Moreira adiantou que esta tarde será conhecida a distribuição de pelouros.

Já em resposta a Amorim Pereira, o presidente da Câmara reafirmou não considerar a governabilidade "um bem absoluto, mas "muito importante", afirmando que, quanto ao acordo firmado com o PS, crê ser "um assunto que os cidadãos do Porto entenderam bem".

Rui Moreira adiantou ainda que neste momento não vai alterar a macroestrutura da autarquia, sendo que "a seu tempo" o fará.

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